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Vídeo de descarte de ameixas expõe gargalo do agro em SC

Vídeo de descarte de ameixas expõe gargalo do agro em SC
Reprodução ND Mais

Caso em Urubici, na Serra catarinense, mostra como falta de comprador e dificuldade de escoamento podem transformar produção em prejuízo mesmo em um estado forte na fruticultura.

Atualizado em 29 de março de 2026 às 21:00

O descarte de 50 toneladas de ameixa por um produtor rural de Urubici, na Serra catarinense, chamou atenção nas redes e acendeu um alerta além do caso individual: no campo, colher bem não garante venda. Em fruta fresca, quando falta comprador no momento certo, a perda chega rápido e vira prejuízo.

O que aconteceu em Urubici

O caso ganhou repercussão após reportagem do ND Mais, publicada em 28 de março de 2026. Segundo o portal, um produtor de Urubici gravou o momento em que a carga de ameixas era descartada e afirmou, emocionado, que não conseguiu comercializar a produção.

No vídeo, ele diz que quem quisesse poderia ir ao local buscar a fruta. A cena viralizou porque condensa, em poucos segundos, um problema recorrente da agricultura perecível: quando a janela de venda passa, o produtor perde poder de negociação e o alimento perde valor em ritmo acelerado.

Por que o episódio importa

O impacto vai além da imagem forte de toneladas de fruta no chão. Em cadeias como a da ameixa, o tempo entre colheita, classificação, transporte e venda é curto. Se não há canal de compra, contrato, preço que cubra custos ou logística viável para tirar o produto da propriedade, a produção pode se transformar em perda total ou parcial.

Isso afeta diretamente a renda da família produtora e também expõe uma fragilidade maior da cadeia: a distância entre produzir e conseguir escoar. Em alimentos frescos, especialmente os mais sensíveis, o gargalo comercial pesa tanto quanto clima, praga ou produtividade.

Santa Catarina tem peso na produção de ameixa

O caso chama atenção também porque ocorreu em um estado relevante para essa cultura. De acordo com levantamento da Epagri, Santa Catarina é o segundo maior produtor de ameixa do Brasil e responde por cerca de 30% da produção nacional. O estado reúne mais de 400 produtores em cerca de 40 municípios.

A mesma base da Epagri mostra que a colheita catarinense se concentra entre novembro e março, com mais de 90% do volume saindo entre dezembro e fevereiro. Essa concentração ajuda a entender por que o escoamento é decisivo: quando muita fruta chega ao mercado ao mesmo tempo, qualquer falha na comercialização pesa ainda mais.

O que esse caso revela sobre a fruticultura

Ameixa é uma fruta de alto valor agregado quando chega ao consumidor em boa condição, mas também é um produto sensível. Exige colheita no ponto certo, manejo pós-colheita, rapidez no transporte e canais de venda funcionando. Se uma dessas etapas falha, o desperdício cresce.

O episódio de Urubici reforça uma realidade conhecida no agro: tecnologia de cultivo e boa safra não resolvem sozinhas o problema de renda. Para o produtor, fazem diferença fatores como:

  • compra antecipada ou contratos de comercialização;

  • acesso a centrais de distribuição e atacado;

  • custo e disponibilidade de frete;

  • capacidade de armazenamento e refrigeração;

  • alternativas de processamento, como polpa, geleia ou indústria.

O que muda para o consumidor e para o setor

Para quem está fora do campo, o caso ajuda a explicar uma contradição comum: pode haver alimento disponível na origem e, ainda assim, o produtor ter prejuízo e o consumidor não perceber queda proporcional no varejo. Entre uma ponta e outra, entram transporte, intermediação, padrão comercial e tempo de prateleira.

No setor, o episódio tende a reforçar a discussão sobre organização de mercado, cooperativismo, compras institucionais e rotas para aproveitar excedentes antes que virem descarte. Quando isso não acontece, perde o produtor, perde a cadeia e perde também o combate ao desperdício de alimentos.

O que fica de lição

A imagem das ameixas descartadas em Urubici é um retrato duro, mas útil, de um problema estrutural. A crise não começou no momento em que a fruta foi jogada fora; ela apareceu antes, quando a produção ficou sem saída comercial no tempo certo.

Em um estado com tradição em fruticultura de clima temperado e peso nacional na produção de ameixa, o caso funciona como sinal de alerta: sem mercado, logística e coordenação, até uma safra grande pode terminar em prejuízo.

Autor

Acadêmica e Técnica em Sistemas. Apaixonada por games e cultura nerd, conecta tecnologia e comunicação para criar soluções práticas e informações úteis para o dia a dia.