Se você foi ao cinema nos anos 90 ou 2000 para assistir a um filme baseado no seu videogame favorito, as chances de você ter saído da sala decepcionado são altíssimas.
Durante décadas, Hollywood carregou a fama de ter uma "maldição" quando o assunto era adaptar jogos. Tivemos o bizarro Super Mario Bros. (1993), o duvidoso Street Fighter com Jean-Claude Van Damme e várias versões de Resident Evil que passavam longe da essência do jogo original.
Mas algo mudou. Nos últimos anos, adaptações como The Last of Us (HBO), Fallout (Prime Video), Arcane (Netflix) e o filme de animação do Super Mario Bros. não apenas bateram recordes de audiência, como ganharam os maiores prêmios da indústria.
Afinal, como a maior maldição da cultura pop foi quebrada? O segredo está em três mudanças fundamentais.
Os criadores assumiram o controle
No passado, os estúdios de cinema apenas compravam os direitos do nome de um jogo e entregavam para diretores que, muitas vezes, nunca tinham tocado em um controle. O resultado eram filmes de ação genéricos que só usavam as roupas dos personagens.
A virada de chave aconteceu quando os criadores dos games exigiram sentar na cadeira da direção. Em The Last of Us, o criador do jogo, Neil Druckmann, foi o co-produtor da série. No filme do Mario, o lendário Shigeru Miyamoto supervisionou cada pixel da animação. Com os "pais" das obras no comando, a fidelidade ao material original passou a ser a regra número um.
Games deixaram de ser apenas "pular e atirar"
Hollywood tinha dificuldade de adaptar jogos antigamente porque a narrativa deles era muito simples (salve a princesa, derrote o chefão). Para preencher duas horas de filme, os roteiristas inventavam histórias do zero.
Hoje, os videogames são superproduções dramáticas. Jogos modernos possuem roteiros complexos, atores reais fazendo captura de movimentos e dilemas morais profundos. A HBO não precisou inventar uma história para The Last of Us; o roteiro brilhante já estava pronto dentro do console, bastava traduzi-lo para as câmeras.
Séries são melhores que filmes para jogos
Descobriu-se que espremer um jogo de 40 horas em um filme de 2 horas era uma receita para o fracasso. O formato de série de TV (com 8 ou 10 episódios) permite que o universo seja explorado com calma.
Em Fallout, por exemplo, a série teve tempo para explicar como aquele mundo pós-apocalíptico funciona, desenvolver os personagens e espalhar as famosas referências (easter eggs) que os fãs tanto amam procurar. A era de ouro das adaptações chegou. Hollywood finalmente entendeu que os gamers não queriam que seus jogos fossem "melhorados" pelo cinema; eles só queriam que suas histórias fossem respeitadas. E, para a nossa sorte, parece que o jogo virou de vez.