Donald Trump coloca em vigor, a partir de 24/02/2026, uma tarifa global temporária de 10% sobre importações nos Estados Unidos, mas com uma lista ampla de isenções que beneficia itens relevantes da pauta brasileira e reduz o impacto imediato sobre setores como energia, agroindústria e aviação.
O que muda com a nova tarifa dos Estados Unidos
A nova cobrança começa a valer às 00h01 (horário de Washington) e foi estabelecida por ordem executiva após uma decisão da Suprema Corte que anulou parte do tarifaço anterior.
Com o julgamento, ficam sem efeito as tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que havia embasado medidas aplicadas a diversos países.
No caso do Brasil, a reviravolta derruba duas frentes de cobrança mencionadas no pacote anterior: as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado, e a sobretaxa de 40% sobre diversos produtos brasileiros, anunciada em julho de 2025 em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar disso, a entrada da tarifa global de 10% reposiciona parte do comércio exterior brasileiro no mercado norte-americano: para muitos itens, volta a valer a tarifa “normal” do produto, que existia antes das medidas de 2025, com o adicional temporário global.
Isenções incluem commodities e manufaturados
As exceções anunciadas não se limitam a um tipo de mercadoria e reúnem desde commodities até produtos de maior valor agregado. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a tarifa fica zerada, na lista de isenções, para combustíveis, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves.
Entre os principais grupos de produtos com isenção, aparecem:
Energia e combustíveis, como petróleo bruto, óleo combustível e querosene de aviação (jet fuel).
Agroindústria, com destaque para carne bovina, café em grão, suco de laranja, fertilizantes e cacau e derivados.
Aeronaves e peças, incluindo aviões civis, motores aeronáuticos e componentes.
Mineração e siderurgia, como alumina calcinada, ferro-ligas e minérios de outros metais.
Tecnologia e indústria, com itens ligados a semicondutores e alguns eletrônicos selecionados.
Aço e alumínio seguem com tarifa elevada
Nem todo setor, porém, entra no grupo favorecido. As exportações brasileiras de aço e alumínio para os Estados Unidos continuam sujeitas a alíquotas de 50%, que se somam aos 10% adicionais anunciados, mantendo o custo desses insumos em patamar elevado.
Por que alguns itens ficaram fora da sobretaxa
Para o especialista em comércio exterior Jackson Campos, o desenho da medida indica cálculo político e econômico: a tarifa funciona como instrumento de negociação, mas as isenções servem para conter efeitos colaterais nos próprios Estados Unidos.
Segundo essa leitura, ao poupar itens considerados críticos, o governo reduz o risco de repasse rápido para preços domésticos, evita rupturas em cadeias produtivas integradas e preserva setores vistos como estratégicos.
Na prática, isso ajuda a explicar por que combustíveis e energia aparecem na lista (com impacto direto em custos logísticos e inflação), assim como fertilizantes e outros insumos do agro (que influenciam o preço dos alimentos), além de aeronaves e componentes (por conta da integração industrial) e itens ligados a semicondutores (prioridade tecnológica).
E a tarifa global vai subir para 15%?
Após anunciar a taxa de 10% na sexta-feira (20), Trump chegou a dizer no dia seguinte que elevaria a alíquota para 15%. Até a entrada em vigor nesta terça-feira (24), contudo, não havia sido publicada uma diretriz formal para oficializar o aumento.