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SUS passa a fornecer insulina glargina de ação prolongada

SUS passa a fornecer insulina glargina de ação prolongada
© Rafael Nascimento/MS - Agência Brasil

Projeto-piloto em Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal, com mais de 50.000 pacientes, para reduzir aplicações e aperfeiçoar controle glicêmico

Atualizado em 08 de fevereiro de 2026 às 21:58

O Ministerio da Saude informou que iniciou a transição da insulina humana NPH para a insulina análoga de ação prolongada glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS), em projeto-piloto conduzido em Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal. A medida busca modernizar o tratamento de mais de 50 000 pessoas com diabetes tipo 1 e de idosos com 80 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou tipo 2, reduzindo o número de aplicações diárias e aperfeiçoando o controle glicêmico.

Detalhes do projeto-piloto

O projeto foi desenhado para avaliar resultados clínicos e operacionais antes de chegar às demais unidades da federação. A estratégia prevê:

  • Estados-piloto: Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal

  • Público-alvo: Crianças e adolescentes até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2

  • Meta inicial: Mais de 50 000 pacientes

Mudança na rotina dos pacientes

A insulina glargina oferece ação prolongada de até 24 horas e reduz a necessidade de múltiplas aplicações diárias, garantindo maior estabilidade nos níveis de glicose. Ao contrário da insulina NPH, que requer duas ou mais doses por dia, a glargina exige apenas uma injeção diária.

Segundo o Ministério da Saúde, a substituição será realizada de forma gradual, com cada paciente avaliado individualmente antes de migrar de insulina humana para a análoga.

Capacitação e cronograma de expansão

Para suportar a implantação, o SUS promove treinamentos voltados a profissionais de atenção primária nos quatro estados selecionados. Nas primeiras etapas, serão monitorados indicadores de adesão ao tratamento e desfechos clínicos.

Após avaliação preliminar, o ministério vai definir um cronograma de expansão para as demais regiões do país, considerando resultados de eficácia, segurança e custo-benefício.

“O tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250, para dois meses, na rede privada. A ampliação da sua oferta no SUS está alinhada às melhores práticas internacionais.”

Parceria para produção nacional

A oferta ampliada da insulina glargina no SUS resulta de uma parceria para o desenvolvimento produtivo (PDP) entre o laboratório Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee. O acordo inclui transferência de tecnologia e fortalecimento da autonomia local.

Em 2025, foram entregues mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com investimento de R$ 131 milhões. A expectativa é alcançar, até o fim de 2026, capacidade produtiva de até 36 milhões de tubetes para abastecer o SUS.

“A autonomia na produção de insulina é fundamental diante de cenário de escassez global deste insumo.”

Análise e impactos potenciais

Ao simplificar a rotina de aplicações, a insulina glargina tende a aumentar a aderência ao tratamento, um dos principais desafios no manejo do diabetes tipo 1. P

Do ponto de vista do SUS, a perspectiva de ampliar a oferta de insulina análoga incorpora uma estratégia de longo prazo para otimizar recursos e reduzir custos com internações e atendimentos de emergência. O modelo de produção nacional também mitiga riscos de desabastecimento em contextos de alta demanda global.

Além disso, o fortalecimento da Fiocruz como polo tecnológico reforça a soberania industrial do país. A cooperação entre instituições públicas e privadas pode servir de modelo para outras áreas estratégicas da saúde, ampliando o escopo de parcerias produtivas no Brasil.

O avanço reforça o compromisso do SUS com práticas internacionais de qualidade e abre caminho para novas frentes de inovação e segurança no fornecimento de insumos essenciais.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.