Desde novembro de 2023, equipes do Programa Saúde da Família e das Unidades Básicas de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) têm visitado domicílios em milhares de municípios brasileiros para identificar o risco de insegurança alimentar. A iniciativa utiliza a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA) para subsidiar ações específicas de combate à fome.
Diagnóstico detalhado pelo TRIA
A TRIA aplica duas perguntas-chave aos responsáveis pelos domicílios:
“Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida?”
“Nos últimos três meses, você comeu apenas alguns alimentos que ainda tinha, porque o dinheiro acabou?”
Se o entrevistado responde “sim” a ambas as questões, todo o domicílio é classificado como em risco de insegurança alimentar. Esse diagnóstico individualizado permite mapear com precisão as necessidades de cada família.
Integração entre SUS, SUAS e SISAN
Segundo relatório do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a TRIA faz parte da estratégia de integrar o SUS, o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). A unificação dos dados fortalece o monitoramento tanto na Atenção Primária à Saúde (APS) quanto nos serviços de assistência social que acompanham beneficiários de programas de transferência de renda.
Cobertura e resultados até maio de 2025
Entre novembro de 2023 e maio de 2025, foram colhidos os seguintes indicadores:
20,6 milhões de domicílios responderam à TRIA ao menos uma vez, equivalente a 28,4% dos domicílios particulares permanentes do Censo 2022.
Em 4.080 dos 5.570 municípios brasileiros, pelo menos um quarto dos domicílios participaram da triagem.
A partir de julho de 2024, os resultados passaram a ser integrados ao Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), por meio de projeto conjunto do Ministério da Saúde e do MDS.
Impacto do Bolsa Família
O monitoramento pela TRIA também evidenciou a eficácia do Bolsa Família na redução da insegurança alimentar:
A adesão ao programa aumenta em 11,2% a probabilidade de uma família sair da insegurança alimentar.
A cada mês de permanência no Bolsa Família, esse percentual cresce em 3,2%.
Entre os beneficiários, 16% superaram o risco de insegurança alimentar, contra 13% das famílias não inscritas no programa.
Avanço na cobertura e perspectivas
De julho de 2024 a fevereiro de 2025, a aplicação da TRIA passou de 2,9% para 5,4% dos domicílios, representando um crescimento de 86,2% na cobertura nacional. Nesse período, a proporção mínima de domicílios cobertos em municípios subiu de 1,2% para 2,7%, enquanto o número de municípios sem registros da TRIA caiu de 1.397 para 907.
“O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025, o que quer dizer que temos menos de 2,5% da população em situação de subalimentação. Com o fortalecimento da produção de informações nos territórios, sobre o risco de insegurança alimentar e nutricional, conseguiremos alcançar quem ainda se encontra nesta situação”, avaliou Valéria Burity.
“A gente tem aprimorado a forma de identificar essas pessoas. Então, hoje, pelo SUS, a gente identifica famílias em situação de risco de insegurança alimentar”, apontou Valéria Burity.
Com a consolidação desses esforços, o Governo do Brasil reforça o refinamento das políticas públicas de combate à fome, combinando diagnóstico de campo e integração de dados para orientar iniciativas mais efetivas em territórios com maior vulnerabilidade.