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STJ afasta ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi

STJ afasta ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi
Reprodução

Decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça ocorre após nova denúncia ao CNJ e suspende prerrogativas do ministro até março

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 14:42

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em sessão extraordinária na terça‑feira (10 de fevereiro de 2026), afastar cautelarmente o ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi após nova denúncia de importunação sexual recebida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Contexto da decisão

O afastamento unânime ocorreu depois que uma jovem de 18 anos denunciou o magistrado por importunação sexual na Corregedoria do CNJ. Segundo depoimento da vítima, o episódio teria acontecido em 9 de janeiro durante estadia em Balneário Camboriú (Santa Catarina).

Detalhes da investigação

A investigação tramita em sigilo, envolve inquérito aberto na Polícia Civil de São Paulo e foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF) em razão do foro privilegiado do ministro. Em caso de condenação, a pena prevista varia de 1 a 5 anos de reclusão.

Linha do tempo

  • 9 de janeiro de 2026: suposto incidente na casa de praia de Marco Buzzi em Balneário Camboriú.

  • 14 de janeiro de 2026: registro de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo.

  • 5 de fevereiro de 2026: primeiro atestado médico apresentado ao STJ.

  • 9 de fevereiro de 2026: nova denúncia registrada no CNJ.

  • 10 de fevereiro de 2026: votação unânime aprova afastamento cautelar.

  • 10 de março de 2026: sessão para apreciar conclusões da Comissão de Sindicância.

Licença médica e tratamento

No dia da votação, Buzzi apresentou atestado de psiquiatra solicitando licença médica de 90 dias. Fontes da TV Globo indicam que o ministro permanece internado e passou recentemente por procedimento de implantação de marca‑passo.

Este é o segundo documento médico entregue em fevereiro, após atestado inicial apresentado em 5 de fevereiro, antes da nova denúncia.

Reações oficiais

“O afastamento é cautelar, temporário e excepcional. Neste período, o Ministro ficará impedido de utilizar seu local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função.”

A defesa do ministro manifestou “respeitosa irresignação” com a decisão, afirmando que não há risco concreto à higidez procedimental da investigação e que o afastamento antes do contraditório “forma um arriscado precedente” para magistrados.

“Forma-se um arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório.”

Em carta enviada aos colegas do STJ, Marco Buzzi negou insinuações, ressaltou trajetória profissional ilibada e mencionou família unida como elemento de coerência biográfica.

Impactos

O caso intensifica o debate sobre o equilíbrio entre a celeridade na apuração de denúncias e as garantias processuais de magistrados. Especialistas avaliam que a cautelar do STJ pode influenciar procedimentos administrativos em outras instâncias.

Para integrantes da Corte e especialistas em direito disciplinar, a medida pode representar marco na adoção de providências cautelares rápidas em casos que envolvem conduta de magistrados fora do tribunal. Ao antecipar o afastamento, o STJ sinaliza maior rigor na preservação da integridade institucional e na confiança pública no Judiciário.

Analistas também observam que o desfecho da sindicância pode servir de parâmetro para o Conselho Nacional de Justiça avaliar a necessidade de reformular critérios e prazos para afastamentos temporários em situações similares.

Até a nova sessão marcada para 10 de março, o ministro permanecerá afastado de suas funções, mas continuará recebendo remuneração. A decisão reforça a prática de medidas preventivas em casos que envolvem autoridades com foro especial.

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