Brasileiro News

Curiosidades

SP vai pagar até R$ 36 mil a produtores para proteger a araucária

SP vai pagar até R$ 36 mil a produtores para proteger a araucária
Victoria Roca - Pexels

Edital lançado pelo governo estadual mira Cunha, no Vale do Paraíba, e também prevê até R$ 250 mil para organizações que atuem na conservação da espécie.

Atualizado em 23 de abril de 2026 às 21:09

O governo de São Paulo lançou um edital de Pagamento por Serviços Ambientais que prevê repasse de até R$ 36 mil por produtor rural para ações de conservação da araucária, espécie ameaçada de extinção. A iniciativa foi anunciada em 22 de abril de 2026, em Cunha, no Vale do Paraíba, e também reserva até R$ 250 mil para organizações da sociedade civil ligadas ao tema.

O que o programa pretende fazer

Batizado de PSA Araucária, o chamamento da Fundação Florestal quer remunerar quem se comprometer com medidas como conservação de árvores já existentes, plantio de mudas, restauração de áreas de preservação permanente e implantação de pomares. Na prática, o governo tenta combinar proteção ambiental com geração de renda no campo e fortalecimento da cadeia do pinhão, a semente da araucária.

A escolha de Cunha não foi por acaso. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, o município concentra mais de 95% da coleta de pinhão no estado. Dados da pasta indicam que, entre 2023 e 2025, produtores da região coletaram mais de 1.100 toneladas de sementes, e a estimativa para 2026 supera 368 toneladas.

Por que isso importa agora

O edital chega num momento em que a araucária voltou ao centro das políticas ambientais paulistas. A espécie é tratada pelo governo estadual como ameaçada de extinção, e a Semil afirma que ela pode perder habitat até 2070 por causa da extração ilegal e das mudanças climáticas. Ao pagar pela conservação, o estado tenta tornar a floresta em pé economicamente mais viável do que a degradação.

Além do valor ecológico, há peso econômico e cultural. O pinhão é fonte de renda para famílias rurais de Cunha e já foi apontado pelo próprio programa estadual como um ativo da bioeconomia local, com potencial para produtos alimentícios e agregação de valor sem depender do corte da árvore, que segue altamente restrito.

Quem pode participar

O edital é voltado a dois grupos:

  • produtores rurais, com foco em agricultores familiares e pequenos produtores;

  • organizações sem fins lucrativos, como associações, cooperativas e ONGs que atuem na conservação da araucária e na cadeia do pinhão em Cunha.

Para os produtores, a documentação exigida inclui manifestação de interesse, RG e CPF, conta no Banco do Brasil em nome do inscrito, declaração da gestão do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha, imóvel com Cadastro Ambiental Rural e comprovação de vínculo com a área por contrato, escritura ou matrícula. O edital de chamamento público do PSA Araucária foi publicado pela Fundação Florestal em 17 de abril de 2026.

Onde o projeto começa

O projeto-piloto será implantado na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Cunha. Esse recorte territorial mostra que o governo quer começar onde a presença da espécie, a tradição de coleta do pinhão e a pressão por conservação já coexistem, o que pode facilitar monitoramento e adesão dos produtores.

O que muda para o produtor

Para quem vive da terra, a mudança mais concreta é a possibilidade de receber por uma atividade que normalmente não gera retorno imediato: preservar, restaurar e manejar a paisagem de forma compatível com a conservação. Esse modelo de pagamento por serviços ambientais já vem sendo ampliado pelo estado em outras frentes, como programas ligados à palmeira-juçara, reflorestamento e proteção costeira.

Se a iniciativa tiver adesão e continuidade, ela pode ajudar a transformar a proteção da araucária de obrigação ambiental em estratégia econômica para pequenas propriedades, especialmente numa região em que o pinhão já faz parte da renda e da identidade local.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.