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Soja abre março em alta no mercado interno brasileiro

Soja abre março em alta no mercado interno brasileiro
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Primeira semana do mês teve valorização nas principais praças; Chicago, câmbio, exportação e venda mais cautelosa do produtor ajudam a explicar o movimento

Atualizado em 08 de março de 2026 às 22:09

A soja começou março em alta no mercado interno brasileiro, com valorização nas principais praças acompanhadas até 6 de março de 2026. No porto de Paranaguá, a saca chegou a R$ 133, enquanto Sorriso (MT) foi a R$ 104. O movimento contrasta com a fraqueza vista em fevereiro e recoloca no radar o efeito combinado de Chicago, câmbio, exportação e ritmo da colheita.

O que os dados mais recentes mostram

Na atualização mais recente da página de cotações do Canal Rural, todas as referências acompanhadas fecharam o dia 6 em alta. Entre os principais pontos do mercado físico, Paranaguá subiu 1,53%, Sorriso avançou 1,96%, Primavera do Leste ganhou 1,87% e o Índice Safras dos Portos Brasileiros terminou em R$ 131,90, com alta de 1%.

Na prática, isso indica um começo de março com viés positivo mais disseminado do que o observado ao longo de boa parte de fevereiro, quando o mercado vinha pressionado por expectativa de oferta ampla no Brasil e por perda de competitividade externa.

Por que a soja voltou a subir no começo de março

O avanço não tem uma única causa. Ele reúne, ao mesmo tempo, fatores externos e domésticos.

  • Bolsa de Chicago mais firme: a soja ganhou suporte recente no mercado internacional, puxada também pelo comportamento do óleo de soja e pelo ambiente externo mais volátil.

  • Câmbio ainda em patamar elevado: mesmo com recuo no dia 6, o dólar comercial fechou em R$ 5,244, segundo a Agência Brasil, o que ajuda a manter sustentação para a paridade de exportação.

  • Demanda externa ativa: levantamento citado pelo analista Carlos Cogo, com base na Secex, mostra que o Brasil exportou 7,114 milhões de toneladas de soja em fevereiro, alta de 10,7% sobre um ano antes.

  • Venda mais seletiva do produtor: pesquisas do Cepea apontaram, no fim de fevereiro, postura cautelosa de produtores, sobretudo no Sul, em meio a incertezas climáticas e redução de produtividade em áreas afetadas pela estiagem.

Fevereiro foi fraco, mas março começou diferente

É importante separar os dois momentos. O Cepea informou que a média do indicador da soja em fevereiro caiu 4,94% frente a janeiro, refletindo principalmente a desvalorização do dólar ante o real e a expectativa de oferta volumosa no país. Em outras palavras, fevereiro terminou pressionado.

Já na reta final do mês e na virada para março, o mercado encontrou suporte. Em nota de 23 de fevereiro de 2026, o Cepea registrou que os preços internos haviam subido na semana anterior, sustentados pela demanda externa, por prêmios de exportação mais atrativos no Brasil e pela cautela dos vendedores. O desempenho das cotações no dia 6 reforça essa mudança de tom no curtíssimo prazo.

Safra grande limita altas mais fortes

Apesar da recuperação dos preços, o mercado não está livre de pressão. A Conab estimou em fevereiro uma produção de soja de 178 milhões de toneladas na safra 2025/26, novo recorde se confirmado. Oferta maior costuma limitar repiques mais intensos no mercado físico, especialmente quando a colheita avança e aumenta a disponibilidade do grão.

No boletim semanal mais recente reportado em 3 de março de 2026, a colheita nacional tinha atingido 41,7% da área plantada, de acordo com a Conab. Isso significa que março começou com mais produto chegando ao mercado, fator que tende a funcionar como freio natural para altas prolongadas.

Quem é afetado agora

O movimento importa diretamente para produtores, cooperativas, cerealistas, indústrias de esmagamento e exportadores. Para o produtor, a retomada melhora o ambiente de comercialização em um momento decisivo de colheita e formação de caixa. Para a indústria, preços mais firmes elevam o custo de originação. Para exportadores, o foco segue em prêmios, câmbio e ritmo dos embarques.

Também há efeito indireto sobre o milho de segunda safra. Quando a colheita da soja atrasa ou o produtor segura vendas à espera de preços melhores, a logística e a liberação de áreas para o milho safrinha entram no radar com mais força.

O que pode mexer com os preços nas próximas semanas

Daqui para frente, o comportamento da soja no mercado interno deve depender de quatro vetores principais:

  1. Chicago: se a bolsa continuar sustentada, o reflexo tende a aparecer nas praças brasileiras.

  2. Dólar: novas oscilações no câmbio mudam rapidamente a competitividade da soja nacional.

  3. Colheita no Brasil: avanço mais acelerado aumenta a oferta e pode reduzir o espaço para novas altas.

  4. Exportações e prêmios: embarques fortes e prêmio portuário atrativo ajudam a sustentar o mercado físico.

O retrato de agora, portanto, é de uma soja que abre março em recuperação no mercado interno, mas ainda dentro de um ambiente sensível à safra recorde e à volatilidade externa. Para o produtor, o melhor resumo é este: o mês começou melhor do que fevereiro terminou, mas o fôlego da alta ainda dependerá do equilíbrio entre demanda, câmbio e entrada da oferta brasileira.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.