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Santa Catarina é o 2º maior polo do Cavalo Crioulo no Brasil

Santa Catarina é o 2º maior polo do Cavalo Crioulo no Brasil
Marcelo Chagas - Pexels

Levantamento da ABCCC com a Esalq/USP aponta 33,7 mil animais no estado; força catarinense ajuda a explicar avanço econômico e esportivo da raça.

Atualizado em 10 de março de 2026 às 21:38

Santa Catarina aparece hoje como o 2º estado do país em criação de Cavalo Crioulo, com 33,7 mil animais, atrás apenas do Rio Grande do Sul. O dado faz parte de um estudo divulgado em dezembro de 2025 pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, em parceria com a Esalq/USP, e ajuda a dimensionar o peso catarinense em uma cadeia que mistura genética, esporte, trabalho no campo e negócios.

O que os números mostram

Segundo o levantamento publicado pela ABCCC, o universo do Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bilhões por ano no Brasil. O estudo calcula um rebanho de 508.080 animais e indica que Santa Catarina ocupa a segunda posição nacional, à frente do Paraná, que aparece com 31,8 mil exemplares.

No mesmo recorte, o Rio Grande do Sul segue como principal base da raça, com 412 mil animais. Ainda assim, o dado de Santa Catarina mostra que a criação já não é apenas um fenômeno concentrado no estado vizinho: o rebanho catarinense coloca o estado em posição estratégica dentro de uma atividade que envolve criatórios, provas, remates, serviços veterinários, rações, ferrageamento e turismo rural.

Por que Santa Catarina ganhou peso na raça

O Cavalo Crioulo cresceu historicamente no Sul por reunir características valorizadas tanto no campo quanto nas pistas. Em sua apresentação institucional, a ABCCC destaca a rusticidade e a resistência da raça, além de sua adaptação a condições adversas. Isso ajuda a explicar por que o animal se consolidou em regiões com forte tradição pecuária, rodeios, cavalgadas e provas funcionais.

Em Santa Catarina, esse avanço também passa pela combinação entre cultura campeira e profissionalização da criação. O estado tem presença frequente em exposições morfológicas, seletivas e competições ligadas ao calendário oficial da raça. Em 2025, por exemplo, Gaspar sediou uma etapa Passaporte do ciclo morfológico, e o calendário agropecuário catarinense de 2026 já prevê em Lages o Passaporte Morfológico – Expointer – Cavalos Crioulos, de 7 a 12 de outubro, conforme a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina.

Não é só tradição: há impacto econômico direto

O ranking de Santa Catarina importa porque a criação do Cavalo Crioulo deixou de ser apenas um marcador cultural. O estudo da ABCCC com a Esalq/USP aponta 31,3 mil empregos diretos e mais de 130 mil indiretos no país, com geração de renda para mais de 160 mil famílias.

Outro dado relevante é o perfil dos criatórios. Hoje, 75% das criações em operação no Brasil têm foco esportivo, enquanto 22,56% se destinam ao trabalho de campo. Na prática, isso significa que o crescimento da raça também puxa demanda por treinamento, estrutura de eventos, transporte, hotelaria, comercialização e mão de obra especializada.

Santa Catarina já aparece com força nesse circuito de negócios. Em balanço sobre a comercialização de 2024, a ABCCC informou que o leilão de maior faturamento da raça naquele ano ocorreu em Barra Velha (SC), na Estância Três Coxilhas.

O que esse posto muda para o estado

Ser o segundo estado do país na criação do Cavalo Crioulo reforça Santa Catarina em pelo menos três frentes:

  • econômica, porque amplia a relevância da equinocultura dentro do agro catarinense;

  • esportiva, já que mais animais e criatórios tendem a aumentar a presença do estado nas principais provas da raça;

  • genética e comercial, com mais valor para seleção, reprodução e remates.

Para o criador, isso significa mercado mais ativo e maior visibilidade. Para municípios que recebem eventos, representa circulação de público e serviços. E para o estado, consolida uma atividade que conversa com tradição regional, turismo e negócios de alto valor agregado.

O que observar daqui para frente

O número de Santa Catarina mostra um estado já consolidado, mas ainda com espaço para crescer. A própria ABCCC trabalha com expansão da agenda de provas e fortalecimento dos núcleos regionais. Se esse movimento continuar, a tendência é que o rebanho catarinense mantenha protagonismo e aumente seu peso nas pistas e no mercado.

Para o leitor, o dado central é este: quando se fala em Cavalo Crioulo no Brasil, Santa Catarina não aparece mais como coadjuvante. O estado já é uma das bases centrais da raça e ocupa hoje uma posição de destaque real, medida em animais, eventos e negócios.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.