Depois de um 2022 marcado por forte quebra, produtores de abacate da região de Tupã, no interior de São Paulo, voltaram a colher com fôlego em 2023. Em uma das propriedades mostradas pela TV TEM, a expectativa saltou para 1.100 toneladas, mais que o dobro dos melhores anos anteriores, após perdas de 95% na safra passada.
O que aconteceu em Tupã
Segundo reportagem exibida pela TV TEM em 26 de fevereiro de 2023 e reproduzida pela Abrafrutas, o avanço da safra foi favorecido por chuvas em volume considerado adequado pelos produtores. A colheita, que normalmente começa no fim de fevereiro, ainda se antecipou naquele ciclo, ajudando a explicar o entusiasmo no campo.
O caso mais emblemático foi o do produtor Jorge Manfré, que relatou nunca ter visto uma safra tão abundante em três décadas de atividade. Na propriedade em Tupã, são 50 hectares e cerca de 5 mil árvores. Nos melhores anos, a produção girava em torno de 500 toneladas; em 2023, a projeção mais que dobrou.
Por que a recuperação importa
A virada mostra como o clima pesa diretamente sobre a fruticultura. Em 2022, a perda de quase toda a produção comprometeu renda, planejamento e comercialização. Já na safra seguinte, o retorno do volume colhido abriu espaço para recompor receitas e atender não só o mercado interno, mas também clientes do exterior: quase metade da produção dessa fazenda teria como destino a exportação.
Ao mesmo tempo, uma colheita muito maior trouxe uma preocupação típica do agro: o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda. A própria reportagem registrou o temor de que o aumento da fruta disponível pressionasse o preço pago ao produtor, reduzindo parte do ganho obtido com a recuperação da produtividade.
O abacate ganhou peso no agro paulista
Mesmo sem ser uma das culturas de maior participação no campo paulista, o abacate segue relevante. Estimativa preliminar do Instituto de Economia Agrícola mostra que o valor da produção de abacate no estado de São Paulo passou de R$ 644,5 milhões em 2024 para R$ 727,9 milhões em 2025, alta de 12,93%.
No plano nacional, o produto também ganhou espaço. Dados citados em boletim do Deral e repercutidos pelo setor indicam que o Brasil colheu 422,5 mil toneladas em 2023, o que colocou o país entre os maiores produtores mundiais da fruta.
O que fica para o produtor e para o consumidor
Para quem produz, o episódio em Tupã resume dois desafios permanentes: depender do clima e, depois da recuperação, conseguir vender bem uma safra maior. Para o consumidor, anos de oferta mais ampla costumam aumentar a presença da fruta no mercado e podem aliviar preços, embora isso dependa da qualidade, da logística e do ritmo de compra no varejo e na exportação. Em outras palavras, a safra recorde foi motivo de comemoração no pomar, mas o resultado financeiro final continuou ligado ao comportamento do mercado.