Brasileiro News

Mundo a fora

Ramadã: o que é, quando acontece e por que é importante

Ramadã: o que é, quando acontece e por que é importante
oussama-aamari - moroccoworld

Mês sagrado do islamismo envolve jejum, oração, solidariedade e segue o calendário lunar, com datas que mudam a cada ano.

Atualizado em 18 de março de 2026 às 12:23

O Ramadã é o mês mais sagrado do islamismo e marca, para os muçulmanos, um período de jejum diário, oração, reflexão e solidariedade. Ao longo desse mês, fiéis adultos jejuam do amanhecer ao pôr do sol. A prática segue o calendário lunar islâmico, por isso as datas mudam a cada ano no calendário gregoriano.

O que é o Ramadã

O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico. Segundo a tradição muçulmana, foi nesse período que começaram a ser revelados ao profeta Maomé os versos do Alcorão, o livro sagrado do islamismo.

Por isso, o mês tem forte significado espiritual. Mais do que ficar sem comer ou beber durante o dia, a proposta é reforçar a disciplina, a fé, o autocontrole e a atenção aos mais pobres.

Como funciona o jejum

Durante o Ramadã, muçulmanos praticantes fazem jejum diário do amanhecer ao pôr do sol. Nesse intervalo, em geral, não consomem alimentos nem bebidas. O jejum é conhecido como sawm e é um dos pilares do islamismo.

O dia normalmente começa com uma refeição antes do amanhecer, chamada suhoor. Depois do pôr do sol, o jejum é encerrado com a refeição conhecida como iftar, muitas vezes compartilhada com familiares, amigos e a comunidade.

Nem todos são obrigados a jejuar. Costumam ser dispensados, por exemplo:

  • crianças antes da puberdade;

  • idosos fragilizados;

  • pessoas doentes;

  • gestantes e lactantes, em determinadas condições;

  • viajantes.

As regras podem variar conforme a interpretação religiosa e a condição individual de saúde.

Por que as datas mudam

O calendário islâmico é lunar. Isso significa que os meses são definidos pelos ciclos da Lua, e não pelo calendário solar usado na maior parte do mundo.

Na prática, o Ramadã começa cerca de 10 a 11 dias antes a cada ano no calendário gregoriano. O início e o fim do mês podem variar de país para país, porque comunidades e autoridades religiosas podem adotar critérios diferentes para confirmar o aparecimento da Lua nova.

O que muda na rotina dos fiéis

Além do jejum, o Ramadã costuma intensificar práticas religiosas e comunitárias. Muitas pessoas aumentam a frequência das orações, leem mais o Alcorão e participam de ações de caridade.

Entre os aspectos mais associados ao período estão:

  • maior dedicação à oração e à reflexão espiritual;

  • doações e ajuda a pessoas em situação de vulnerabilidade;

  • encontros familiares e refeições comunitárias no fim do dia;

  • busca por autocontrole também no comportamento e na fala.

Em países de maioria muçulmana, a rotina social e comercial pode mudar, com horários adaptados para trabalho, escolas, serviços e refeições noturnas.

Como termina o Ramadã

O fim do mês é marcado pelo Eid al-Fitr, celebração que reúne orações, encontros familiares e ações de solidariedade. A data simboliza o encerramento do jejum e costuma ser um dos momentos mais importantes do calendário islâmico.

Antes da festa, há também uma prática de caridade destinada a ajudar pessoas em necessidade, para que mais famílias possam participar da celebração.

Por que o tema importa para quem não é muçulmano

Entender o Ramadã ajuda a compreender uma das principais práticas religiosas do mundo e evita estereótipos sobre o islamismo. Para quem convive com muçulmanos na escola, no trabalho ou no comércio, esse conhecimento também facilita o respeito à rotina e às tradições observadas durante o mês.

Em termos práticos, o período pode influenciar horários, hábitos alimentares, compromissos sociais e viagens em diferentes países e comunidades. Saber o que o Ramadã significa ajuda a interpretar melhor essas mudanças e o valor religioso que elas têm para milhões de pessoas.

Autor

Equipe editorial responsável pela apuração e publicação desta matéria.