A Quaresma costuma mudar a rotina de compra de muitas famílias brasileiras e empurra o peixe para o centro das refeições. Neste ano, a alta da procura vem acompanhada de um alerta conhecido da vigilância sanitária: na pressa para aproveitar oferta, tradição ou promoção, o consumidor precisa redobrar a atenção com procedência, temperatura, aparência e armazenamento do pescado.
Procura cresce e o setor chega mais forte em 2026
Segundo a Peixe BR, a demanda por peixe na Quaresma pode subir até 30%. A entidade também informou, no Anuário 2026, que a piscicultura brasileira atingiu pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas produzidas em 2025, com avanço de 58,6% em dez anos.
Esse cenário ajuda a explicar por que o pescado ganha mais espaço nas gôndolas, feiras e peixarias neste período. Ao mesmo tempo, o aumento do giro no varejo exige mais cuidado de comerciantes e consumidores com a cadeia de frio, a rotulagem correta e a higiene no manuseio.
Em outra frente, o Ministério da Pesca e Aquicultura informou que a produção aquícola em Águas da União cresceu 20% em 2024, chegando a 148.564,71 toneladas. O dado mostra um setor em expansão, mas não elimina o ponto central para quem vai comprar: peixe é alimento altamente perecível e estraga rápido quando a conservação falha.
O que olhar antes de colocar o pescado no carrinho
As orientações da Anvisa e de órgãos estaduais de vigilância sanitária convergem no básico: preço importa, mas não pode ser o único critério.
Verifique o selo de inspeção: o produto deve trazer registro de inspeção federal, estadual ou municipal, além de fabricante, validade e forma de conservação.
Observe a exposição: peixe fresco precisa estar refrigerado ou sobre camada espessa de gelo; congelados devem estar firmes, sem sinais de descongelamento.
Cheque a embalagem: ela não pode estar rasgada, amassada, furada, molhada ou violada.
Analise os sinais de frescor: olhos brilhantes e salientes, pele úmida, escamas firmes, brânquias de cor rosada a vermelho intenso e odor característico, sem cheiro forte de deterioração.
Desconfie de alterações visíveis: manchas, muco excessivo, carne muito mole, líquido em excesso ou cor fora do padrão acendem sinal de alerta.
Na prática, isso significa que o consumidor não deve comprar pescado exposto fora de refrigeração adequada, em bancas sem higiene visível ou sem identificação clara de origem. Em períodos de maior movimento, esses erros tendem a pesar mais.
Fraude no rótulo também entra na conta
Além do risco sanitário, há o risco de pagar por uma espécie e levar outra. Em operação nacional divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, foram coletadas 152 amostras de pescados em 23 estados e no Distrito Federal. O índice geral de conformidade foi de 96,1%, mas houve casos em que a espécie encontrada não correspondia à informada no rótulo.
Esse tipo de problema não significa que todo produto esteja irregular, mas mostra por que vale conferir rótulo, selo e procedência, especialmente em itens embalados, postas congeladas e pescados processados. Se a identificação estiver incompleta ou confusa, o melhor caminho é não levar.
Como armazenar em casa sem perder segurança
Os cuidados não terminam na compra. A própria Anvisa recomenda que alimentos refrigerados e congelados sejam guardados imediatamente em geladeira ou freezer. Também orienta a não descongelar à temperatura ambiente.
Deixe a compra de refrigerados e congelados para o fim da ida ao mercado ou à feira.
Ao chegar em casa, coloque o pescado na geladeira ou no freezer sem demora.
Descongele sob refrigeração ou no micro-ondas, nunca sobre a pia.
Evite contato entre alimento cru e comida pronta para consumo.
Utensílios e superfícies usados no peixe cru devem ser lavados antes de entrar em contato com outros alimentos.
Também é importante não sobrecarregar a geladeira, porque isso dificulta a circulação de ar frio e compromete a conservação. Se o produto já foi preparado, ele não deve ficar por longos períodos fora de refrigeração.
Por que isso importa agora
Na Quaresma, o peixe deixa de ser uma compra ocasional para virar item de maior demanda em poucos dias. Esse aumento rápido de consumo pressiona estoque, transporte, bancas temporárias e o preparo doméstico. É justamente aí que crescem os riscos de falha na temperatura, de armazenamento inadequado e de compra por impulso.
Para o leitor, a informação útil é objetiva: tradição não dispensa cuidado. Se houver dúvida sobre cheiro, cor, textura, origem ou conservação, a melhor decisão é trocar de estabelecimento. Em pescado, economia aparente pode virar desperdício ou problema de saúde.