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Produtores de Ribeirão Preto apostam na pitaya

Produtores de Ribeirão Preto apostam na pitaya
Any Lane - Pexels

Fruto exótico ganha espaço nas propriedades locais e abre alternativas de renda

Atualizado em 03 de março de 2026 às 06:22

Produtores de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, estão adotando o cultivo da pitaya como alternativa para diversificar a produção e aumentar a rentabilidade das propriedades nos últimos meses, diante da busca por culturas que se adaptem ao clima e ofereçam retorno comercial mais ágil.

Por que a pitaya tem encontrado espaço na região

A pitaya, espécie de cactácea conhecida pelo fruto vibrante, demanda estrutura produtiva diferente da agricultura tradicional, o que tem atraído pequenos e médios agricultores da região. A planta tolera variações de temperatura e ocupa área reduzida por planta, o que a torna viável para lotes fragmentados e horticultores que priorizam diversificação.

Além disso, o produto final tem apelo no mercado consumidor por seu aspecto exótico e pela associação com alimentação saudável. Esse perfil facilita a entrada em canais como feiras locais, mercados orgânicos e vendas diretas ao consumidor, abrindo novas frentes de comercialização para quem antes dependia de poucas lavouras convencionais.

Da produção à venda: da colheita ao pós-colheita

No campo, o manejo difere de culturas extensivas: a condução das plantas, o suporte para os ramos e a condução da irrigação são pontos centrais do trabalho. A colheita exige seleção cuidadosa para garantir boa aparência e conservação do fruto.

Os produtores que têm obtido melhores resultados também têm investido em processos simples de pós-colheita, como refrigeração adequada e embalagens que preservam a fruta para transporte. Outra estratégia observada é a agregação de valor por meio da venda pronta para consumo ou de produtos processados, como polpas, que aumentam o leque de compradores.

Desafios a enfrentar

Embora promissora, a cultura exige atenção a pragas e doenças específicas e a um manejo técnico que alguns agricultores precisam aprender. O acesso a orientação técnica e a insumos adequados pode ser um entrave inicial para quem está começando.

A logística de escoamento também é um ponto sensível: franquias de distribuição e supermercados costumam demandar volumes e padrões de qualidade que exigem organização coletiva ou parcerias comerciais. Para muitos produtores, alternativas como venda direta e canais digitais têm sido opções para contornar essa etapa.

Impactos econômicos e perspectivas

Para agricultores que diversificam com pitaya, a cultura tem oferecido uma nova opção de renda, complementando outras atividades da propriedade. A diversificação pode reduzir riscos associados a preços e clima, além de ampliar oportunidades de mercado.

Especialistas em horticultura costumam ver a pitaya como uma cultura com potencial de crescimento em regiões que reúnem condições climáticas favoráveis e mercados consumidores receptivos. No contexto de Ribeirão Preto, produtores que se organizam e investem em qualidade têm mais chances de transformar a novidade em fonte estável de receita.

O desenvolvimento dessa cadeia depende de apoio técnico, acesso a canais de comercialização e estratégias de agregação de valor, fatores que podem multiplicar os benefícios da pitaya para a agricultura local.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.