O preço do boi gordo voltou a subir em São Paulo e a arroba fechou em R$ 355,63 em 24 de março de 2026, segundo a referência do indicador Cepea/Esalq para o estado. O avanço ocorre em um mercado ainda marcado por oferta limitada de animais prontos para abate, o que reduz o poder de barganha dos frigoríficos e mantém o viés de firmeza nas negociações.
Arroba em São Paulo segue perto das máximas
Dados de Notícias Agrícolas, com base no Cepea/Esalq-USP, mostram que a média paulista a prazo passou de R$ 350,69 em 16 de março para R$ 355,63 em 24 de março. O nível atual supera o recorde nominal de R$ 353,15 registrado em 27 de fevereiro, apontado pelo mercado como a máxima histórica da série até então.
Na prática, isso significa que São Paulo continua operando em um patamar muito elevado para a arroba, num ambiente em que negócios acima da referência seguem aparecendo para lotes com padrão-exportação, especialmente quando a indústria precisa encurtar a busca por animais.
Por que o preço está subindo
O principal motor da alta é a escassez de boiadas terminadas. Pesquisadores do Cepea e consultorias de mercado vêm relatando, desde fevereiro, uma oferta restrita de animais prontos para abate, cenário que dificulta a formação das escalas pelos frigoríficos e dá sustentação às cotações.
Esse quadro é reforçado por um ponto estrutural: mesmo depois do recorde de abate no país, a disponibilidade imediata de animais acabados não cresce na mesma velocidade da demanda por compra. Dados do IBGE mostram que o Brasil abateu 39,27 milhões de cabeças em 2024, um recorde. Já o próprio Cepea informou, em fevereiro de 2026, que o abate de 2025 chegou a 42,5 milhões de cabeças, também em nível recorde, mas com a demanda ainda forte o suficiente para evitar pressão baixista mais intensa sobre a arroba.
Exportações ajudam a segurar o mercado
Outro fator decisivo é o desempenho externo. Segundo a Abiec, com dados da Secex, o Brasil exportou 267,319 mil toneladas de carne bovina em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, recorde para o mês. No acumulado de janeiro e fevereiro, foram 531,298 mil toneladas e US$ 2,84 bilhões.
Para o pecuarista e para a indústria, isso importa porque a exportação ajuda a escoar a produção e mantém a disputa por matéria-prima mais acesa. O Cepea já havia apontado, em fevereiro, que janeiro de 2026 foi recorde para o mês nas vendas externas de carne bovina; em março, o centro reforçou que as exportações seguem como fator central de sustentação dos preços domésticos.
O que muda agora para pecuarista, frigorífico e consumidor
Com a arroba acima de R$ 355 em São Paulo, o produtor que tem animal terminado encontra um mercado mais favorável para negociação. Já os frigoríficos continuam enfrentando um custo maior de reposição das escalas, o que limita espaço para quedas mais fortes no curto prazo.
Para o consumidor, a transmissão não é automática nem imediata, mas um boi gordo mais caro tende a pressionar a carne bovina no atacado e no varejo se o repasse ganhar tração. Esse movimento depende da demanda doméstica, da renda das famílias e do ritmo de compra do comércio.
O que observar nas próximas semanas
Os próximos sinais mais importantes para o mercado são:
oferta de animais terminados nas principais praças paulistas;
escala de abate dos frigoríficos, que indica o conforto ou a urgência de compra da indústria;
ritmo das exportações, sobretudo para a Ásia;
comportamento do consumo interno, que pode limitar ou ampliar os repasses.
Se a oferta continuar curta e a exportação mantiver o fôlego visto no início de 2026, a tendência é de mercado firme em São Paulo. Se houver alongamento das escalas ou enfraquecimento da demanda, o avanço pode perder força. No momento, porém, o quadro predominante ainda é de arroba sustentada por boiada enxuta.