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Por que flamingos dormem em uma perna só, segundo a ciência

Por que flamingos dormem em uma perna só, segundo a ciência
Zoosnow - Pexels

Estudos indicam que a postura exige pouco esforço muscular e ainda pode ajudar a reduzir a perda de calor, sobretudo quando a ave está na água.

Atualizado em 13 de março de 2026 às 13:45

Flamingos não ficam em uma perna só por “charme” nem por simples hábito. O que a ciência conseguiu mostrar com mais clareza é que essa postura funciona como um arranjo mecânico muito eficiente: o corpo, as articulações e a ação da gravidade ajudam a ave a se manter estável com pouquíssima força muscular, inclusive durante períodos de descanso e sono.

O que os pesquisadores descobriram sobre o equilíbrio

O estudo mais citado sobre o tema foi publicado em 2017 na revista Biology Letters. Nele, cientistas da Georgia Tech e da Emory University analisaram flamingos vivos e também a anatomia de aves mortas que não haviam sido sacrificadas para a pesquisa.

O achado central foi que, quando o flamingo posiciona uma perna debaixo do corpo, o peso corporal aciona um tipo de suporte passivo nas articulações mais próximas do tronco. Na prática, isso significa que a ave entra em uma configuração estável sem precisar gastar muita energia para “segurar” a pose. Já a postura com duas pernas não se mostrou tão estável nesse experimento.

Os pesquisadores também observaram que flamingos tranquilos, com os olhos fechados, balançavam menos quando estavam em uma perna só. Isso reforça a ideia de que o segredo não é um esforço muscular contínuo, mas uma combinação de anatomia, postura e gravidade que facilita o equilíbrio.

Por que isso importa para o sono das aves

Esse mecanismo ajuda a explicar como o flamingo consegue dormir em uma perna só por tanto tempo. Se a postura depende de pouco esforço muscular, a ave não precisa ficar fazendo correções constantes de equilíbrio como um ser humano faria. Em termos simples: para o flamingo, ficar parado assim pode ser mais econômico do que parece.

A própria equipe do estudo propôs que a postura unipedal pode servir, antes de tudo, para reduzir o gasto de energia. Esse ponto é importante porque, por muitos anos, a explicação mais popular era que a ave alternava as pernas apenas para “descansar” os músculos. Os dados de biomecânica sugerem que a história é mais sofisticada do que isso.

Então a explicação é só equilíbrio? Não exatamente

Não. A melhor resposta hoje é que a ciência tem uma explicação robusta para o mecanismo do equilíbrio, mas o “porquê” final do comportamento ainda envolve mais de um fator. Um estudo anterior, de 2009, indexado no PubMed, encontrou uma relação entre a postura em uma perna só e a temperatura ambiente.

Nessa pesquisa, flamingos foram observados descansando em diferentes condições. O resultado mostrou que eles adotavam a postura unipedal com mais frequência quando estavam na água e quando a temperatura era mais baixa. Isso dá força à hipótese de termorregulação, ou seja, de que recolher uma das pernas ajuda a diminuir a perda de calor.

O que muda na compreensão sobre os flamingos

O avanço é relevante porque tira o comportamento do campo da curiosidade e o coloca no da biomecânica. Em vez de um “mistério fofo” da natureza, a postura passa a ser entendida como uma solução corporal muito eficiente. Segundo explicação institucional da Georgia Tech, o ponto decisivo é que a estabilidade depende da posição exata do corpo sobre a perna, e não de um travamento simples dos ossos.

Isso também ajuda a corrigir uma percepção comum: o “joelho” visível no meio da perna do flamingo não é exatamente o joelho como muita gente imagina. Em aves, parte das articulações mais importantes fica próxima do corpo, e essa arquitetura anatômica influencia diretamente a forma como o peso é distribuído.

Em resumo: por que flamingos dormem em uma perna só?

A resposta mais fiel ao que a ciência sabe hoje é esta:

  • o flamingo consegue ficar em uma perna só porque sua anatomia cria uma postura passiva e estável;

  • essa configuração parece exigir menos esforço muscular e menos energia;

  • além disso, a postura pode reduzir a perda de calor, especialmente em água fria ou em ambientes mais frios.

Ou seja, o “mecanismo secreto” não é magia nem força extraordinária: é engenharia biológica. O flamingo parece transformar uma pose improvável em uma forma econômica de descansar, manter o equilíbrio e, em certas situações, conservar calor.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.