Você entra em uma loja e vê uma camiseta por R$ 49,99. Em outra prateleira, um tênis por R$ 199,90. E no caixa do supermercado, um chocolate por R$ 4,99.
Já parou para pensar por que quase nenhum preço é redondo? Por que não cobrar logo R$ 50, R$ 200 ou R$ 5? Será que as lojas gostam tanto assim de ficar trocando moedas de um centavo?
A resposta não tem nada a ver com o troco, mas tudo a ver com como o seu cérebro funciona.
O "Efeito do Dígito Esquerdo"
Nós lemos os números da mesma forma que lemos um texto: da esquerda para a direita. O nosso cérebro, na tentativa de ser rápido e eficiente, dá muito mais importância ao primeiro número que ele vê.
Quando você olha para o preço R$ 19,99, o seu cérebro processa o "19" primeiro e, inconscientemente, ancora o preço na casa dos "dez e alguma coisa". Se o preço fosse R$ 20,00, a âncora seria na casa dos "vinte".
A diferença de apenas um centavo faz o produto parecer muito mais barato do que realmente é. Para o seu cérebro apressado, R$ 19,99 está mais perto de R$ 10 do que de R$ 20. É uma ilusão cognitiva poderosa.
A sensação de "promoção"
Além do efeito do dígito esquerdo, preços terminados em 9 (especialmente 99) foram associados ao longo de décadas a ofertas e promoções. Quando vemos um preço assim, nosso cérebro tende a interpretar que aquele produto está com um "preço bom" ou "em liquidação", mesmo que não esteja.
Funciona mesmo?
Sim, e muito. Diversos estudos de economia comportamental já provaram que produtos com preços terminados em 9 vendem significativamente mais do que os mesmos produtos com preços redondos, mesmo que a diferença seja mínima.
Então, da próxima vez que você vir um preço cheio de noves, lembre-se: seu cérebro está prestes a te pregar uma peça. Respire fundo, arredonde o valor para cima e veja se você ainda acha que é um bom negócio.