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Parasitas tiram até 13 kg por animal da pecuária, aponta estudo

Parasitas tiram até 13 kg por animal da pecuária, aponta estudo
Herney Gomez Martinez - Pexels

Levantamento indica impacto direto no gado de corte e queda de 7% na produção de leite; problema também eleva custos e exige manejo mais preciso no campo.

Atualizado em 29 de maio de 2026 às 10:36

Parasitas que muitas vezes passam despercebidos no rebanho podem retirar até 13 quilos de peso vivo por animal ao ano na pecuária de corte brasileira. No gado de leite, a perda estimada chega a 7% da produção anual, segundo levantamento do Datafolha encomendado pela Boehringer Ingelheim e divulgado pela Globo Rural.

O que o estudo mostra

O dado que mais chama atenção é o impacto direto sobre produtividade. Na prática, o animal infestado por parasitas pode converter menos alimento em carne ou leite, ganhar peso mais devagar e exigir mais intervenções de manejo ao longo do ciclo produtivo.

Por que isso importa para o produtor

Na pecuária, perda de peso não é um detalhe técnico. Ela mexe com o tempo de engorda, a eficiência do sistema, a lotação da fazenda e a margem do produtor. Quando o problema afeta vacas de leite, a consequência aparece na produção diária e, em muitos casos, na necessidade de mais tratamento e acompanhamento sanitário.

O efeito econômico mais amplo já havia sido dimensionado em pesquisas anteriores. Em estudo clássico sobre bovinos no Brasil, resumido pela Embrapa e publicado na Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, as perdas econômicas potenciais associadas aos principais ecto e endoparasitas de bovinos no país foram estimadas em US$ 15,4 bilhões por ano. Esse cálculo inclui carrapato-do-boi, mosca-dos-chifres, berne, mosca-dos-estábulos, bicheira e nematódeos gastrintestinais.

Quais parasitas mais preocupam

No rebanho bovino, o problema não se resume a um único agente. Os principais alvos do controle sanitário costumam incluir:

  • carrapato-do-boi, que reduz desempenho e pode transmitir doenças;

  • vermes gastrointestinais, muitas vezes presentes sem sinais clínicos evidentes;

  • mosca-dos-chifres, associada a estresse e menor tempo de pastejo;

  • berne e outros ectoparasitas, que comprometem ganho de peso e bem-estar animal.

Segundo a Embrapa, esses parasitas afetam tanto sistemas convencionais quanto modelos mais intensivos e integrados, o que exige planejamento de controle adaptado à realidade de cada propriedade.

O problema nem sempre aparece a olho nu

Uma das dificuldades do controle é que a perda produtiva pode ocorrer mesmo sem um quadro clínico grave. Em infestações subclínicas, o animal continua comendo e circulando normalmente, mas responde pior ao alimento, cresce menos e pode ter imunidade comprometida. Isso ajuda a explicar por que o prejuízo se acumula sem chamar atenção imediata.

Por que o cenário preocupa agora

Além do tamanho do rebanho brasileiro, o ambiente tropical favorece a permanência e a multiplicação de vários parasitas ao longo do ano. O Brasil encerrou 2024 com 238,2 milhões de cabeças de bovinos, segundo a Agência IBGE Notícias. Em um rebanho desse tamanho, pequenas perdas por animal ganham escala nacional rapidamente.

Outro ponto sensível é a resistência a antiparasitários. A própria Embrapa já alertava que o controle exclusivamente químico não é suficiente para frear as perdas. Na prática, isso significa que repetir a mesma estratégia por hábito pode reduzir a eficácia ao longo do tempo.

O que muda na rotina da fazenda

O recado central do levantamento é que sanidade não pode ser tratada só como gasto eventual. Quando o produtor atrasa diagnóstico, subestima infestação ou aplica controle sem critério técnico, o prejuízo pode aparecer em várias frentes ao mesmo tempo:

  • menor ganho de peso;

  • queda na produção de leite;

  • aumento de mão de obra e de manejo;

  • uso ineficiente de medicamentos;

  • mais tempo para fechar o ciclo produtivo.

O que o produtor pode observar daqui para frente

Especialistas da área recomendam que o controle parasitário seja baseado em monitoramento do rebanho, orientação veterinária e escolha do manejo conforme categoria animal, época do ano, sistema de criação e histórico da fazenda. Não se trata apenas de aplicar produto, mas de decidir quando, como e em quais lotes agir.

Para o setor, a conclusão é direta: combater parasitas não é só uma medida sanitária. É também uma decisão de produtividade. Quando o estudo fala em até 13 quilos perdidos por animal, o número resume um problema que pesa no desempenho do rebanho, no custo da operação e na rentabilidade da pecuária brasileira.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.