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Pancreatite ligada às canetas emagrecedoras: 6 mortes

Pancreatite ligada às canetas emagrecedoras: 6 mortes
Divulgação

Anvisa aponta 145 suspeitas de pancreatite e seis mortes ligadas a canetas emagrecedoras; retenção de receita passa a valer em abril de 2025.

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 09:18

Entre 2020 e 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio do sistema VigiMed, registrou 145 suspeitas de pancreatite e seis óbitos possivelmente relacionados ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil.

A própria Anvisa ressalta que esses casos permanecem em investigação e não foram comprovados como efeitos diretos dos medicamentos.

Se consideradas também as ocorrências examinadas em ambiente de pesquisa clínica, o total pode alcançar 225 notificações de pancreatite associada a esses produtos.

Casos distribuídos por região

Segundo o painel VigiMed, as notificações envolveram pacientes residentes nos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e no Distrito Federal.

Agonistas do GLP-1 em foco

As reações adversas foram vinculadas a diferentes agonistas do GLP-1, hormônio intestinal responsável pela regulação da glicose, estímulo à produção de insulina e sensação de saciedade.

  • Semaglutida

  • Tirzepatida

  • Dulaglutida

  • Liraglutida

  • Lixisenatida

Ao detalhar a lista de produtos investigados, o VigiMed cita as marcas:

  • Ozempic

  • Mounjaro

  • Wegovy

  • Trulicity

  • Saxenda

  • Victoza

  • Rybelsus

  • Xultophy

Retenção de receita médica

A Anvisa destaca que as bulas desses medicamentos já alertavam para a possibilidade de pancreatite aguda. Em abril de 2025, o órgão implementou a exigência de retenção de receita médica para a venda das canetas emagrecedoras.

Desdobramentos para a segurança do paciente

A retenção de receita médica deve reforçar o acompanhamento clínico e reduzir a incidência de uso sem supervisão. Ao criar barreiras para aquisição irregular, a medida pode também desestimular a comercialização de produtos falsificados, já alvo de apreensões recentes.

A concentração de notificações em São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal ressalta a necessidade de uniformizar práticas de farmacovigilância pelo país e ampliar a capacitação de profissionais de saúde para identificação e notificação de casos suspeitos.

O fato de as bulas já incorporarem o alerta para pancreatite aguda demonstra avanço na comunicação de riscos, mas reforça a necessidade de maior visibilidade desses avisos junto a médicos e pacientes.

Posicionamento da indústria

O portal CNN Brasil tentou contato com as fabricantes dos produtos. A Elly Lilly declarou que a bula de Mounjaro (tirzepatida) alerta para inflamação do pâncreas como reação adversa incomum e recomenda diálogo com o médico e interrupção do uso em caso de suspeita de pancreatite aguda.

A segurança do paciente é a principal prioridade para a Lilly. Levamos a sério os relatos sobre a segurança do paciente e monitoramos, avaliamos e relatamos ativamente as informações de segurança de todos os nossos medicamentos. A bula de Mounjaro (tirzepatida) adverte que a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) é uma reação adversa incomum e aconselha os pacientes a conversarem com seu médico para obter mais informações sobre os sintomas de pancreatite e informar o médico e interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento com Mounjaro. A Lilly continua trabalhando para garantir que as informações de segurança adequadas estejam disponíveis para os prescritores. Incentivamos os pacientes a consultar seu médico ou outro profissional de saúde sobre quaisquer efeitos colaterais que possam estar experimentando, bem como garantir que estão se tratando com medicamentos genuínos da Lilly.

Fonte: CNN Brasil

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