Brasileiro News

Política

Onze governadores deixam o cargo de olho nas eleições de 2026

Onze governadores deixam o cargo de olho nas eleições de 2026
Reprodução

Saídas ocorrem após o prazo legal de desincompatibilização e redesenham a disputa por Presidência, Senado e governos estaduais.

Atualizado em 06 de abril de 2026 às 13:45

Onze governadores deixaram seus cargos após o fim do prazo de desincompatibilização para quem pretende disputar outro posto nas eleições de 4 de outubro de 2026. O movimento abre espaço para novos titulares em parte dos estados, mexe nas alianças regionais e antecipa a corrida por vagas no Planalto e no Senado.

Quem saiu e por quê

A regra vale para chefes do Executivo que querem concorrer a um cargo diferente do que ocupam hoje. Segundo o calendário eleitoral do TSE, governadores que pretendiam disputar outro mandato majoritário precisavam renunciar até 4 de abril, exatamente seis meses antes do primeiro turno.

De acordo com a Agência Brasil, os 11 governadores que deixaram o cargo são:

  • Ronaldo Caiado (PSD-GO)

  • Romeu Zema (Novo-MG)

  • Gladson Cameli (PP-AC)

  • Wilson Lima (União-AM)

  • Ibaneis Rocha (MDB-DF)

  • Renato Casagrande (PSB-ES)

  • Mauro Mendes (União-MT)

  • Helder Barbalho (MDB-PA)

  • João Azevêdo (PSB-PB)

  • Antonio Denarium (PP-RR)

  • Cláudio Castro (PL-RJ)

Entre eles, Caiado já se apresentou como pré-candidato à Presidência. Zema também deixou o governo mineiro após dois mandatos consecutivos e sinalizou que pode entrar na disputa presidencial, embora ainda sem formalização. A maior parte dos demais ex-governadores mira o Senado, que renovará 54 das 81 cadeiras neste ano, duas por estado e pelo Distrito Federal.

O que muda nos estados

Na prática, a troca acelera a sucessão local. Em boa parte dos casos, vice-governadores passam a comandar a administração até o fim do mandato e ganham vitrine para a eleição de outubro. Isso altera a máquina política regional, reorganiza palanques e pode influenciar a montagem de chapas para governo, Senado e Câmara.

O caso do Rio de Janeiro é o mais sensível. Cláudio Castro renunciou para tentar o Senado, mas o TSE o tornou inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Com isso, eventual candidatura tende a depender de disputa sub judice e de novos desdobramentos judiciais.

Quem ficou no cargo

Nem todos os governadores em fim de segundo mandato decidiram sair. Segundo a Agência Brasil, sete preferiram completar o governo e não disputar a eleição deste ano: Paulo Dantas (MDB-AL), Carlos Brandão (sem partido-MA), Ratinho Junior (PSD-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Eduardo Leite (PSD-RS), Marcos Rocha (PSD-RO) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO).

Ao mesmo tempo, nove governadores em primeiro mandato permaneceram no cargo para buscar a reeleição, já que a legislação não exige renúncia nesse caso. Estão nesse grupo Clécio Luís (AP), Jerônimo Rodrigues (BA), Elmano de Freitas (CE), Eduardo Riedel (MS), Raquel Lyra (PE), Rafael Fonteles (PI), Jorginho Mello (SC), Tarcísio de Freitas (SP) e Fábio Mitidieri (SE).

Por que isso importa agora

A renúncia não transforma automaticamente um político em candidato, mas funciona como um filtro decisivo do jogo eleitoral. Quem ficou no cargo para além de 4 de abril perdeu a possibilidade de concorrer a outro posto em outubro. Já quem saiu preservou essa opção e agora entra numa fase de articulação partidária, definição de alianças e montagem de campanha.

O próximo marco relevante será o período de convenções partidárias, de 20 de julho a 5 de agosto, quando partidos e federações oficializam nomes e coligações. Depois disso, os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.

O que o eleitor deve observar daqui para frente

Para o eleitor, a mudança mais imediata é entender que a corrida eleitoral já entrou em fase prática, mesmo antes da campanha oficial. Vale acompanhar três pontos: quem assumiu os governos, quais ex-governadores realmente serão confirmados nas convenções e quais candidaturas podem enfrentar contestação judicial. Isso tende a influenciar tanto a disputa nacional quanto os cenários estaduais.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026, e um eventual segundo turno para presidente e governador será em 25 de outubro. Segundo o TSE, mais de 155 milhões de eleitores deverão estar aptos a votar.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.