Brasileiro News

Turismo

O tesouro escondido no seu banco: como transformar os gastos do dia a dia em passagens aéreas gratuitas

O tesouro escondido no seu banco: como transformar os gastos do dia a dia em passagens aéreas gratuitas
mdjaff / Freepik

Para iniciantes, o caminho costuma passar menos por um cartão “premium” e mais por entender programas como Livelo e Esfera, esperar transferências bonificadas e usar compras com pontos por real.

Atualizado em 13 de março de 2026 às 19:35

Muita gente associa milhas a viagens frequentes ou cartões de altíssima renda, mas o básico do jogo é mais simples: concentrar gastos que você já faria, acumular pontos no programa do banco e transferi-los para a companhia aérea no momento certo. Na prática, o ganho maior costuma vir de promoções de transferência com bônus e de compras bonificadas em lojas parceiras, não de gastar mais.

O primeiro passo é entender que existem dois tipos de programa

Para quem está começando, a confusão mais comum é misturar o programa do banco com o programa da companhia aérea.

Programas como Livelo e Esfera funcionam como grandes “depósitos” de pontos. É ali que entram os pontos gerados por cartão de crédito, compras bonificadas e algumas parcerias. Já programas como Smiles e LATAM Pass são os lugares em que esses pontos viram milhas para emissão de passagens e outros resgates.

Em páginas oficiais, a própria Livelo mostra a transferência de pontos para a Smiles, enquanto o LATAM Pass informa que recebe pontos de bancos e programas parceiros. Em geral, a lógica é esta: você acumula primeiro no banco e depois decide para qual companhia mandar.

O segredo não é o cartão mais caro

Ter um cartão que pontua ajuda, claro. Mas isso, sozinho, raramente é o grande diferencial para quem quer viajar gastando pouco.

O ponto central é usar bem o que já seria consumido no orçamento do mês. Isso inclui supermercado, farmácia, contas recorrentes e, principalmente, compras maiores que já estavam no planejamento, como eletrodomésticos, celular ou notebook. Em vez de comprar diretamente no varejista, o consumidor pode entrar primeiro pelo shopping do programa de pontos e receber uma bonificação por real gasto, conforme a campanha do dia.

A Livelo, por exemplo, mantém ofertas em que a pontuação varia por parceiro e por período promocional. A Esfera também informa, em páginas de parceiros, quantos pontos por real podem ser gerados e quais condições precisam ser seguidas para o crédito.

Onde muita gente perde dinheiro: transferir na hora errada

Um erro clássico é mandar os pontos para a companhia aérea assim que eles entram na conta do banco. Para iniciantes, essa costuma ser a pior decisão.

O motivo é simples: promoções de transferência bonificada aparecem com frequência e podem aumentar bastante o saldo final. Em campanhas desse tipo, o cliente transfere seus pontos do banco para a companhia e recebe milhas extras. Em ações recentes e regulamentos publicados por programas e parceiros, há ofertas com bônus variados, que podem ir de 25% a 90% e, em alguns casos, chegar a 100%, dependendo do perfil do cliente, do clube assinado e das regras da campanha.

A LATAM Pass informa que algumas promoções exigem cadastro prévio na campanha antes da transferência. Já a Esfera publicou regulamento de transferência para a Smiles com bônus de até 90% em janeiro de 2026, e a Livelo também tem regulamentos de campanhas bonificadas para a Smiles. O ponto importante é que o bônus muda de uma promoção para outra e não é permanente.

Compras bonificadas podem valer mais do que a fatura do cartão

É aqui que muita gente acelera de verdade. Em vez de depender só da pontuação padrão do cartão, o consumidor aproveita campanhas em que uma loja parceira oferece múltiplos pontos por real gasto.

Na prática, isso significa que uma compra planejada de valor alto pode render uma quantidade de pontos muito maior do que semanas de gastos cotidianos. Se um programa oferece 5, 8 ou 10 pontos por real numa ação específica, uma compra de geladeira, televisão ou celular pode gerar um salto relevante no saldo, desde que o pedido seja feito pelo link correto, com o CPF do titular e dentro das regras da oferta.

A própria Livelo explica que o ganho de pontos no Shopping e em sites parceiros depende da mecânica de cada campanha e que compras pagas com pontos ou com pontos + dinheiro não necessariamente geram nova pontuação. A Esfera também detalha que o crédito dos pontos depende do acesso pelo link do parceiro, das regras da promoção e da confirmação da compra.

Como fazer isso sem gastar um centavo a mais

O raciocínio mais saudável para iniciantes é tratar milhas como consequência do consumo, e não como desculpa para comprar.

  • Concentre gastos que você já faria no cartão ou no canal que pontua.

  • Deixe os pontos parados no programa do banco até surgir uma boa promoção de transferência.

  • Antes de compras maiores, cheque se há campanha bonificada no shopping do programa.

  • Leia o regulamento para confirmar prazo de crédito, exclusões e necessidade de cadastro prévio.

  • Compare o valor em dinheiro da passagem com a quantidade de milhas exigida antes de emitir.

Essa etapa final é decisiva porque nem toda emissão vale a pena. Às vezes, o saldo existe, mas o resgate está caro demais em milhas. Em outros casos, uma promoção de passagens pagas pode ser melhor do que usar o saldo acumulado.

O que observar antes de transferir ou comprar

Milhas não são dinheiro parado em cofre. Regras de validade, lotes mínimos, prazos de crédito e campanhas com opt-in fazem diferença no resultado.

O LATAM Pass informa, por exemplo, que transferências via Livelo podem exigir lote mínimo de 20 mil pontos em certos canais. A Esfera publicou regra de transferência para a Smiles com mínimo de 30 mil pontos na modalidade só com pontos, além de opção de pontos + dinheiro. Já a Livelo informa que, na transferência expressa para emissão na Smiles, a conversão pode acontecer de forma imediata.

Também vale lembrar que o bônus promocional costuma ter prazo de validade próprio e pode exigir que o cliente mantenha clube ativo até o crédito. Por isso, transferir sem ler o regulamento é uma das formas mais rápidas de desperdiçar pontos.

O mito da “passagem grátis” e o que muda na prática

Na maior parte dos casos, a chamada passagem grátis não é totalmente sem custo: podem existir taxas aeroportuárias e outras cobranças operacionais, dependendo do resgate. Ainda assim, a economia pode ser relevante quando o passageiro conseguiu gerar pontos com inteligência e sem elevar o orçamento.

Para o iniciante, o ganho real não está em virar “especialista” de um dia para o outro, mas em dominar um método simples: acumular no programa do banco, aproveitar compras bonificadas e esperar a transferência certa. Isso derruba o mito de que só viaja com milhas quem voa toda semana ou tem cartão black de renda muito alta.

Na prática, o “tesouro escondido” está menos no plástico do cartão e mais na estratégia. Quando o consumidor entende a diferença entre banco e companhia aérea, passa a olhar para os gastos do dia a dia com outro valor — e começa a transformar compras comuns em chance real de viajar pagando bem menos.

Autor

Acadêmica e Técnica em Sistemas. Apaixonada por games e cultura nerd, conecta tecnologia e comunicação para criar soluções práticas e informações úteis para o dia a dia.