Na hora de arrumar a mala, a dúvida mais comum não é o peso da bagagem, mas o que pode ou não entrar no avião. No Brasil, as regras mudam conforme o tipo de item, o destino do voo e se ele vai na bagagem de mão ou na despachada. Em geral, objetos cortantes não passam na cabine, líquidos têm limite em voos internacionais e baterias extras, como power bank, não devem ser despachadas.
O que é proibido na bagagem de mão
De acordo com a ANAC, a bagagem de mão não pode levar objetos cortantes ou perfurantes, como canivetes, tesouras de unha e itens semelhantes. Esses objetos devem ir na bagagem despachada, quando o transporte for permitido.
Na prática, também entram na lista de risco itens que possam ser usados para perfurar, cortar ou ameaçar a segurança a bordo. Em áreas de inspeção, a palavra final é da equipe de segurança do aeroporto, que pode barrar até objetos não citados nominalmente se houver risco operacional ou de segurança.
Quais itens não devem ser despachados
A mesma cartilha da ANAC informa que substâncias explosivas, inflamáveis ou tóxicas são exemplos de materiais que não podem ser levados como bagagem despachada. É o caso, por exemplo, de produtos químicos perigosos, materiais explosivos e certos aerossóis ou combustíveis fora das condições permitidas.
Esse é um ponto importante porque muita gente imagina que basta tirar o item da bagagem de mão e colocá-lo na mala despachada. Nem sempre funciona. Alguns objetos são restritos apenas na cabine; outros são vedados no transporte aéreo de passageiros de forma mais ampla.
Power bank e baterias: o erro que mais confunde passageiros
Power banks, baterias sobressalentes e outras baterias de lítio soltas não podem ir na bagagem despachada. A orientação aparece em normas técnicas e materiais de segurança usados no setor aéreo, inclusive pela ANAC, e também é adotada por autoridades e entidades internacionais como FAA, TSA e IATA.
O motivo é de segurança: uma bateria danificada ou em curto pode superaquecer e provocar fogo. Por isso, o correto é levar essas baterias na cabine, protegidas individualmente para evitar contato entre os terminais.
Power bank: vai na bagagem de mão, não na despachada.
Bateria extra de câmera, notebook ou drone: em regra, também deve ir na cabine.
Baterias maiores: podem exigir aprovação prévia da companhia aérea, conforme a capacidade.
Se houver dúvida sobre a potência da bateria, vale checar a informação em Wh no próprio equipamento ou no manual do fabricante antes de sair de casa.
Líquidos no avião: quando vale a regra dos 100 ml
Em voos internacionais, líquidos, géis, pastas, cremes e aerossóis na bagagem de mão devem seguir a regra de até 100 ml por frasco, dentro de uma embalagem plástica transparente de até 1 litro. A orientação consta em materiais da ANAC e é compatível com regras aplicadas em outros países, como as da TSA.
Há exceções para medicamentos, alimentos de bebê e líquidos de uso especial, mas eles podem exigir comprovação ou inspeção separada. Além disso, frascos acima de 100 ml costumam ser barrados mesmo quando estão parcialmente vazios.
Em voos domésticos, a restrição de líquidos não se aplica da mesma forma em todos os casos. Ainda assim, passageiros de voos nacionais embarcados por área internacional podem ser submetidos às mesmas exigências de inspeção.
E armas, munições e itens de defesa pessoal?
Armas de fogo não podem ser levadas livremente na cabine. O transporte depende de regras específicas, autorização e procedimentos próprios. Segundo a Polícia Federal, munições em bagagem despachada são limitadas a 5 kg por passageiro, e projéteis explosivos ou incendiários são vedados.
Itens de defesa pessoal, como sprays e dispositivos semelhantes, também podem ter restrições severas ou proibição total, a depender da composição e do tipo de voo. Nesses casos, confiar apenas no “acho que pode” é o caminho mais rápido para perder o item no raio X.
O que mais costuma ser retido no embarque
Além dos itens mais óbvios, alguns objetos geram retenção frequente por parecerem inofensivos no dia a dia. Entre os campeões de dúvida estão:
tesouras pequenas e canivetes;
ferramentas;
isqueiros e fósforos fora das condições permitidas;
aerossóis e produtos químicos;
power banks esquecidos na mala despachada;
garrafas, potes e cosméticos acima do limite em voos internacionais.
Como evitar problema no aeroporto
O jeito mais seguro de evitar transtorno é separar a mala em duas etapas: primeiro, o que vai com você na cabine; depois, o que pode seguir despachado. Antes do check-in, confirme as regras da companhia aérea, porque empresas podem impor restrições adicionais para alguns artigos.
Revise a bagagem de mão procurando objetos cortantes, ferramentas e líquidos.
Retire power banks e baterias extras da mala despachada.
Em voo internacional, deixe líquidos dentro do padrão de 100 ml por frasco.
Se transportar item especial, como arma, equipamento médico ou bateria maior, consulte a empresa aérea com antecedência.
Para o passageiro, a regra prática é simples: nem tudo que pode ser levado em viagem pode ser levado na cabine, e nem tudo que sai da cabine pode ser despachado. Saber essa diferença evita filas, retenção de objetos e até a perda do voo.