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O "Efeito Stray": Por que trocar o herói de guerra por um gatinho virou um fenômeno dos games?

O "Efeito Stray": Por que trocar o herói de guerra por um gatinho virou um fenômeno dos games?
Divulgação / Annapurna Interactive

Cansado de salvar o mundo? Entenda o 'Efeito Stray' e descubra por que a psicologia explica nossa paixão crescente por jogar como animais nos videogames.

Atualizado em 09 de fevereiro de 2026 às 14:18

Durante décadas, a fórmula de sucesso nos videogames parecia imutável: você controla um soldado musculoso, um cavaleiro destemido ou um super-herói com poderes cósmicos, e sua missão é salvar o mundo. Então, em 2022, chegou Stray. O protagonista? Um gato laranja comum, sem poderes, cuja habilidade mais celebrada pelos jogadores era um botão dedicado exclusivamente para... miar.

O jogo foi um sucesso estrondoso e levantou uma questão fascinante sobre a psicologia dos jogadores modernos: por que, de repente, estamos preferindo controlar animais indefesos em vez de heróis superpoderosos?

Bem-vindo ao "Efeito Stray"

O sucesso do "jogo do gatinho" não foi um caso isolado, mas o ápice de uma tendência que especialistas chamam de busca por "empatia digital".

Diferente dos jogos de ação tradicionais, onde a diversão vem do poder e da destruição, jogos como Stray (ou o caótico Untitled Goose Game, onde você é um ganso chato) focam na vulnerabilidade. Quando você controla um animal pequeno em uma cidade futurista perigosa, o sentimento dominante não é a agressividade, mas a proteção. Você não quer explodir o cenário; você quer garantir que o gatinho chegue seguro ao outro lado da rua.

Essa mudança de perspectiva gera uma conexão emocional muito mais forte e rápida do que qualquer protagonista humano genérico.

Umas "férias" da humanidade

Psicólogos que estudam o comportamento em ambientes digitais apontam que o principal atrativo desses jogos é um tipo específico de escapismo.

Ser humano no mundo real já é estressante: temos contas para pagar, responsabilidades sociais e dilemas morais complexos. Jogar como um humano virtual muitas vezes carrega um pouco dessa bagagem.

Por outro lado, jogar como um animal é libertador. Um gato não se preocupa com a economia ou com o futuro do planeta. Suas preocupações são imediatas e instintivas: comer, dormir, arranhar um sofá e encontrar um lugar quentinho. Assumir esse papel oferece ao cérebro um descanso necessário das complexidades da vida adulta.

Uma nova visão de mundo

Por fim, há o fator da exploração. Jogos com protagonistas animais nos forçam a ver o mundo (literalmente) de baixo para cima.

Em Stray, uma estante de livros não é apenas um móvel, é uma escada desafiadora. Um pequeno buraco na parede não é um defeito, é uma rota de fuga essencial. Essa mudança de escala transforma cenários comuns em playgrounds imensos e cheios de possibilidades, renovando a sensação de descoberta que muitos jogos haviam perdido.

O "Efeito Stray" provou que, às vezes, para criar a experiência mais imersiva e humana possível nos games, o segredo é não usar um humano.

Autor

Acadêmica e Técnica em Sistemas. Apaixonada por games e cultura nerd, conecta tecnologia e comunicação para criar soluções práticas e informações úteis para o dia a dia.