Em setembro de 1987, Goiânia viveu um episódio que entraria para a história como o maior acidente radioativo já registrado no país. O caso começou de forma aparentemente banal e acabou se transformando em um marco que mudaria protocolos de segurança, fiscalização e conscientização sobre materiais perigosos.
Como tudo começou
No dia 13 de setembro, dois catadores encontraram uma máquina abandonada nas instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia. Sem saber do que se tratava, desmontaram o equipamento e venderam peças a um ferro-velho. Dentro do aparelho havia uma cápsula com Césio-137, material altamente radioativo usado em tratamentos médicos.
Ao abrir o compartimento, o conteúdo foi exposto. O dono do ferro-velho percebeu um brilho azul vindo do material e, curioso, mostrou o achado a familiares e conhecidos. Fragmentos acabaram sendo manipulados e levados para diferentes locais, espalhando a contaminação sem que ninguém soubesse do risco.
O momento em que o perigo foi identificado
Com o passar dos dias, pessoas que tiveram contato com o pó brilhante começaram a apresentar sintomas como náuseas, fraqueza e irritações na pele. Desconfiada, a esposa do proprietário do ferro-velho levou a cápsula até a Vigilância Sanitária.
Um físico chamado para avaliar a situação percebeu imediatamente a gravidade do caso ao medir níveis altíssimos de radiação ainda do lado de fora do prédio. A partir daí, autoridades iniciaram uma operação emergencial para conter a contaminação e localizar todas as áreas afetadas.
Mobilização e impacto na cidade
O episódio mobilizou equipes médicas, bombeiros e especialistas nucleares. Mais de 100 mil pessoas passaram por triagem para verificar possível exposição, e centenas precisaram de acompanhamento. Casas foram isoladas e parte delas demolida para evitar riscos.
O medo também se espalhou. Produtos vindos de Goiás enfrentaram resistência em outras regiões, e moradores relataram episódios de discriminação, reflexo da desinformação que cercava o acidente.
Consequências e legado
Quatro mortes foram oficialmente atribuídas à exposição direta ao material. Toneladas de resíduos contaminados foram recolhidas e armazenadas em um depósito construído especialmente para esse fim, onde permanecem monitoradas até hoje.
O caso levou à revisão de normas de controle de equipamentos médicos com material radioativo e reforçou a importância de informação e fiscalização. Desde então, o episódio é frequentemente lembrado em treinamentos e estudos como exemplo real de como descuido e desconhecimento podem gerar consequências graves.
Mais de três décadas depois, o acidente com Césio-137 segue como referência histórica e científica, não apenas pela tragédia em si, mas pelo aprendizado que trouxe para a segurança nuclear e para a conscientização pública sobre riscos invisíveis.
Caso alguém queira saber mais, assista ao vídeo que serviu de base para esta matéria: clique aqui