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Negócios de cuidadores crescem 74% em cinco anos no Brasil

Negócios de cuidadores crescem 74% em cinco anos no Brasil
Kampus Production - Pexels

Levantamento do Sebrae com base na Receita Federal aponta 57,2 mil novos CNPJs em 2025, em um mercado impulsionado pelo envelhecimento da população.

Atualizado em 10 de março de 2026 às 05:00

A abertura de micro e pequenas empresas de apoio e assistência a idosos e pacientes em domicílio avançou 74% no Brasil entre 2020 e 2025. Só em 2025, o setor registrou 57,2 mil novos CNPJs, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal.

O que explica a alta

O avanço desse tipo de negócio acompanha uma mudança demográfica já consolidada no país. Dados do IBGE mostram que a população com 65 anos ou mais chegou a 22,2 milhões em 2022, alta de 57,4% em 12 anos. Considerando o recorte de 60 anos ou mais, o país tinha 32,1 milhões de pessoas idosas no Censo 2022.

Na prática, isso amplia a demanda por cuidado cotidiano, acompanhamento em casa, suporte a pessoas com mobilidade reduzida e atenção a pacientes em recuperação. É uma necessidade que antes ficava mais concentrada nas famílias e que, cada vez mais, se converte em serviço contratado e operação formalizada.

Por que esse dado importa agora

O número ajuda a mostrar que a chamada economia do cuidado deixou de ser um nicho periférico. O setor cresce em um momento em que o Brasil envelhece rápido e em que mais famílias precisam conciliar trabalho, renda e acompanhamento de parentes idosos ou pacientes dependentes.

Também é um movimento relevante para o mercado de pequenos negócios. Em vez de uma expansão puxada apenas por consumo eventual, trata-se de uma atividade ligada a uma necessidade recorrente, com tendência de continuidade nos próximos anos.

As projeções populacionais mais recentes do IBGE reforçam esse cenário: a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 8,7% em 2000 para 15,6% em 2023 e pode chegar a 37,8% da população em 2070.

Quem é afetado

O avanço atinge diretamente três grupos.

  • Famílias, que passam a encontrar mais oferta de serviços de cuidado domiciliar, embora ainda precisem avaliar qualificação, confiança e regularidade da contratação.

  • Profissionais da área, que ganham novas oportunidades de formalização e expansão do trabalho.

  • Empreendedores, que enxergam no envelhecimento da população uma frente de negócio com demanda estrutural, e não apenas passageira.

O que muda para quem quer empreender no setor

Segundo o Sebrae, o crescimento do mercado não elimina exigências básicas. Ao contrário: quanto maior a demanda, maior a cobrança por qualidade, segurança e organização.

A orientação da entidade para quem pretende abrir ou consolidar um negócio de cuidadores passa por quatro frentes principais:

  • qualificação contínua, com formação em cuidado, primeiros socorros, doenças crônicas e noções de gerontologia;

  • atendimento personalizado, já que o serviço envolve rotina, vínculo e adaptação às necessidades de cada pessoa;

  • regularização, com atenção a exigências legais, sanitárias, municipais e trabalhistas aplicáveis ao modelo de operação;

  • uso de tecnologia, como ferramentas de acompanhamento, relatórios e monitoramento do atendimento.

O próximo passo desse mercado

A tendência, hoje, é de continuidade da expansão. O envelhecimento da população brasileira não é um fenômeno pontual, e os dados públicos indicam que ele deve se aprofundar nas próximas décadas.

Isso não significa crescimento automático para qualquer empresa. Em um serviço tão sensível, a disputa tende a favorecer quem conseguir combinar confiança, preparo técnico, regularidade e transparência. Para o consumidor, isso pode significar mais oferta; para o empreendedor, um mercado promissor, mas cada vez menos tolerante ao improviso.

Em resumo, o salto de 74% na abertura de pequenos negócios de cuidadores funciona como um retrato de uma transformação maior: o cuidado virou uma frente econômica relevante porque o Brasil, de forma acelerada, também ficou mais velho.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.