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Natto: como é feito o tradicional alimento de soja

Natto: como é feito o tradicional alimento de soja
Airam Dato-on - Pexels

Passo a passo da fermentação com Bacillus subtilis var. natto, tempos, temperaturas e dicas para fazer em casa

Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 13:07

Natto, o alimento fermentado de soja originário do Japão, é produzido ao fermentar grãos de soja com a bactéria Bacillus subtilis var. natto; tradicional há séculos, o processo que é praticado por produtores e cozinheiros caseiros, transforma a soja cozida em um produto pegajoso, aromático e com potencial probiótico, por meio de etapas de imersão, cozimento, inoculação, fermentação e maturação.

Do grão ao cozimento: preparação inicial

Tudo começa com a escolha das sementes: usam-se grãos de soja inteiros, limpos e sem danos. Os grãos são deixados de molho em água por cerca de 12 a 20 horas para reidratar e reduzir o tempo de cozimento.

Depois da imersão, a soja é cozida até ficar macia. Métodos comuns incluem cozimento em panela convencional por várias horas, vapor ou o uso de panela de pressão, que encurta o tempo de cozimento. O objetivo é obter grãos macios, mas inteiros, capazes de suportar a fermentação.

Inoculação e fermentação: onde nasce o natto

Quando a soja ainda está quente (temperatura moderada), aplica-se o agente fermentador. Tradicionalmente, a cultura pode ser introduzida usando um pouco de natto pronto como starter ou através de um starter comercial contendo Bacillus subtilis var. natto.

Após a inoculação, os grãos são dispostos em recipientes limpos e mantidos em ambiente aquecido, em torno de 40°C, por um período geralmente entre 18 e 24 horas. É nessa fase que a bactéria se desenvolve, produzindo a característica mucilagem , um polímero chamado poli-gama-glutâmico que confere ao natto sua textura viscosa e fios elásticos.

Maturação, refrigeração e conservação

Concluída a fermentação ativa, o natto costuma ser resfriado e levado à refrigeração por um ou mais dias. Esse repouso em baixas temperaturas ajuda a desenvolver melhor o sabor e a reduzir odores mais fortes.

Conservado na geladeira, o natto tem validade maior do que a soja cozida não fermentada. Em ambiente doméstico, recipientes bem selados aumentam a durabilidade e evitam a contaminação por microrganismos indesejados.

Como consumir e pequenas variações

No Japão, o natto é frequentemente servido com arroz quente, cebolinha picada e molho de soja. Em preparos modernos, aparece em saladas, omeletes e sanduíches. Variedades comerciais e artesanais podem diferir em intensidade de sabor, textura e aroma.

Em casa, métodos alternativos incluem o uso de um forno com função de fermentação, fermentador elétrico, ou mesmo bolsas térmicas que mantêm o calor necessário. A panela de pressão é útil apenas para o cozimento inicial, não para a etapa de fermentação.

Segurança e dicas práticas para fazer em casa

Higiene é o principal: utensílios e recipientes limpos reduzem o risco de contaminação. Use starter confiável e evite abrir o recipiente durante a fermentação para não introduzir microrganismos indesejados.

Temperatura e tempo influenciam o resultado. Fermentações mais longas ou em temperaturas fora da faixa recomendada podem alterar aroma e textura. Caso sinta cheiro muito desagradável ou observe mofo evidente, descarte o lote.

O que muda no alimento: textura, aroma e nutrientes

A fermentação transforma a soja: além do aspecto pegajoso, surgem aromas específicos e compostos produzidos pela bactéria. O natto é reconhecido por conter vitamina K2 e enzimas, componentes frequentemente citados em discussões sobre seu valor nutricional.

Ao preparar natto, o cozinheiro ajusta tempo e temperatura para obter o equilíbrio desejado entre força de sabor, elasticidade e intensidade aromática, preservando a tradição desse alimento fermentado.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.