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Morre Eurípedes Ferreira, pioneiro do transplante de medula no Brasil

Morre Eurípedes Ferreira, pioneiro do transplante de medula no Brasil
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Médico participou do primeiro procedimento da América Latina, em Curitiba, e ajudou a consolidar o tratamento no país.

Atualizado em 04 de abril de 2026 às 17:12

O médico hematologista Eurípedes Ferreira morreu na sexta-feira, 3 de abril de 2026, segundo comunicado divulgado pelo Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, onde ele estava internado. Ferreira é apontado como um dos nomes centrais da história do transplante de medula óssea no Brasil por ter integrado a equipe que realizou, em 1979, o primeiro procedimento do tipo no país e na América Latina.

Por que Eurípedes Ferreira é um nome importante da medicina brasileira

O marco mais conhecido da trajetória de Eurípedes Ferreira foi a liderança, ao lado do hematologista Ricardo Pasquini, do primeiro transplante de medula óssea realizado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Reportagem institucional da UFPR relembra que o feito ocorreu em outubro de 1979 e abriu caminho para a criação de um serviço que se tornaria referência em alta complexidade.

Na prática, esse pioneirismo ajudou a transformar um tratamento então raro em opção terapêutica para doenças graves do sangue, como leucemias, aplasias medulares e outros quadros hematológicos. O impacto não foi apenas simbólico: o serviço inaugurado em Curitiba participou da expansão da especialidade no país e da formação de equipes que levaram a técnica para outros centros.

Legado também inclui avanços fora do primeiro transplante

Além do procedimento de 1979, a CNN Brasil informou que Eurípedes Ferreira também integrou a equipe responsável pelo primeiro transplante de medula óssea entre pessoas não aparentadas, em 1996. Esse tipo de avanço ampliou as possibilidades de tratamento para pacientes sem doador compatível dentro da família, um dos principais gargalos históricos da área.

O alcance do trabalho dele também passou pela assistência pediátrica. No Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, Eurípedes Ferreira é citado como médico que ajudou a implantar o Serviço de Oncologia em 1968 e, décadas depois, como o profissional que implantou o serviço de transplante de medula óssea da instituição. A estrutura se consolidou como um dos maiores centros pediátricos da América Latina nesse tipo de cuidado.

O que se sabe sobre a morte

A morte foi comunicada pelo Hospital Nossa Senhora das Graças. Em nota reproduzida pela CNN Brasil, a instituição afirmou que o médico teve papel fundamental em um marco que transformou o Paraná em referência nacional e internacional no transplante de medula óssea. O hospital também destacou que foram 57 anos de atuação de Eurípedes Ferreira em seu corpo clínico, com trajetória ligada à oncologia e à hematologia.

O que fica para pacientes e para o sistema de saúde

O legado de Eurípedes Ferreira permanece num momento em que o transplante de medula óssea segue sendo uma área estratégica do SUS e da rede hospitalar brasileira. Dados divulgados pela Rede Ebserh com base em levantamento da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea mostram que, em julho de 2025, 2.679 pessoas aguardavam por transplante no Brasil. No mesmo balanço, o Complexo Hospital de Clínicas da UFPR aparecia com mais de 3.455 transplantes já realizados.

Esses números ajudam a dimensionar por que a morte do médico tem peso histórico. O trabalho iniciado por pioneiros como Eurípedes Ferreira não ficou restrito a um feito médico isolado: ele ajudou a estruturar uma área que hoje atende pacientes de alta complexidade, forma especialistas e sustenta parte importante da resposta hospitalar a doenças hematológicas graves no Brasil.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.