A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) informou em 23 de fevereiro de 2026 que o mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com recordes de lançamentos e vendas, sustentado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida, mesmo com a taxa básica de juros em 15% ao ano.
Ao longo de 2025, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, crescimento de 10,6% em comparação com 2024. As vendas somaram 426.260 unidades, alta de 5,4% no mesmo período.
Em valores, o Valor Geral de Lançamentos (VGL) chegou a R$ 292,3 bilhões, enquanto o Valor Geral de Vendas (VGV) totalizou R$ 264,2 bilhões, de acordo com o levantamento apresentado pela entidade.
Juros altos não interromperam o ritmo de lançamentos
O desempenho de 2025 chama atenção por ocorrer em um cenário de crédito mais caro. Ainda assim, a CBIC avalia que o setor manteve tração porque incorporadores continuaram identificando demanda ao longo do ano.
Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e diretor de Economia do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), afirmou que a curva de vendas seguiu apontando para cima, o que, na leitura do setor, reforça a resiliência do mercado e a saúde dos negócios.
Além do avanço em lançamentos e vendas, o estoque — a oferta de imóveis disponíveis para comercialização — aumentou 8% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, fechando o ano com 347.013 unidades.
Quarto trimestre consolida recordes e aceleração
Os dados do último trimestre de 2025 reforçaram a tendência de crescimento e também marcaram recordes trimestrais. Entre outubro e dezembro, foram lançadas 133.811 unidades, alta de 18,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
No mesmo período, as vendas alcançaram 109.439 unidades, e o Valor Geral de Vendas (VGV) trimestral foi de R$ 67,2 bilhões.
Segundo Petrucci, ao transformar o volume comercializado em média diária, o trimestre equivaleu a 1.215 unidades novas vendidas por dia, sendo 312 apenas no estado de São Paulo.
Minha Casa, Minha Vida responde por metade do mercado
A CBIC aponta o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) como o principal motor do setor. No quarto trimestre, o programa representou 52% dos lançamentos e 49% das vendas, consolidando seu peso no resultado agregado do mercado imobiliário.
No acumulado de 2025, foram lançadas 224.842 unidades no MCMV, alta de 13,5% em relação ao ano anterior. As vendas nesse segmento somaram 196.876 unidades, avanço de 15,9% no período.
Petrucci também destacou o volume de recursos associados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com orçamento e desembolsos que atingiram o maior patamar histórico em 2025: R$ 142,3 bilhões. O valor ficou abaixo apenas da dotação prevista para 2026, de R$ 160,5 bilhões.
O impacto do MCMV foi mais intenso nas regiões Sudeste e Norte no quarto trimestre, quando o programa respondeu por 55% e 56% das vendas, respectivamente.
A oferta do MCMV também cresceu e, no ritmo de vendas observado, o estoque seria consumido em cerca de 7,9 meses caso não houvesse novos lançamentos.
Demanda potencial e o que pode mudar em 2026
Uma pesquisa apresentada junto aos dados da CBIC indica que 50% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses. Entre essas pessoas, 37% ainda não iniciaram a busca, 8% já pesquisam online e 5% visitam imóveis.
O imóvel mais desejado é apartamento (48%), seguido por casa em rua (34%), casa em condomínio (15%) e terreno (3%). Entre as motivações, aparecem sair do aluguel, buscar mais espaço e deixar a casa dos pais.
Para Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC, a intenção de compra elevada ajuda a sustentar a demanda, em conjunto com a expectativa de queda na taxa básica de juros e a melhora nas condições de crédito.
Para 2026, a avaliação é de um ambiente potencialmente mais favorável ao financiamento, diante da expectativa de início do ciclo de cortes na Selic a partir de março, o que pode reduzir o custo do crédito imobiliário.
O levantamento também menciona a meta do governo de contratar 3 milhões de unidades no Minha Casa, Minha Vida até o fim do ano, sinalizando a manutenção de um ritmo elevado de contratações no segmento.