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Microcrédito do MIDR impulsiona família ribeirinha no Norte

Microcrédito do MIDR impulsiona família ribeirinha no Norte
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Casal do Amapá quitou financiamento com 40% de desconto, comprou barco de 13 metros e renovou contratos em 2026 para ampliar produção

Atualizado em 11 de fevereiro de 2026 às 15:26

O Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) viabilizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) ajudou o casal Edmilson Rosa dos Santos, 57, e Celina Almeida, 48, a reorganizar a logística e ampliar o trabalho entre Santana, no estado do Amapá, e a Ilha do Pará, no município de Afuá, no estado do Pará, após a contratação de financiamentos em 2025 e a renovação dos contratos em janeiro de 2026.

A vida da família se divide entre dois pontos do mapa. Em Santana (AP), o casal mantém uma casa para garantir que o filho conclua o ensino médio. Já na Ilha do Pará, a três horas de navegação, está a base do sustento, com atividades que vão da farinha de mandioca ao açaí e à criação de porcos, além de roça e revendas em comunidades ribeirinhas.

Do barco pequeno ao “ponto de venda” sobre as águas

Antes do crédito, um dos principais gargalos era o transporte. Para levar milho, macaxeira, cana e banana, Edmilson e Celina contavam com uma embarcação pequena e desconfortável, o que dificultava buscar mercadorias e vender de porta em porta ao longo da Ilha do Pará, além de atender Santana e Mazagão.

A virada começou quando Celina, associada à Colônia de Pescadores Z-6, participou de uma reunião sobre a nova linha de MPO, apresentada às comunidades com a mensagem “Microcrédito Pertinho da Gente”. Apesar do receio inicial de assumir uma dívida, ela relata que o acompanhamento da equipe técnica foi decisivo para entender as etapas de aprovação e seguir adiante.

Em 2025, Celina contratou R$ 12 mil como pescadora. Somados aos R$ 18 mil que o casal havia economizado, os recursos foram direcionados a uma escolha considerada estratégica: a compra de um barco de madeira maior, com 13 metros de comprimento e estrutura completa.

Com a nova embarcação, a rotina de trabalho ganhou eficiência. O barco passou a servir como transporte, apoio nas viagens e também como espaço para acomodar melhor os produtos, permitindo que o casal ampliasse o alcance das vendas e enfrentasse com mais conforto as longas distâncias na região.

Como o microcrédito entrou no FNO e chegou às comunidades

O contexto por trás dessa expansão envolve uma mudança institucional recente. Até 2024, o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) não subsidiava programas de microcrédito na região. Isso começou a mudar em dezembro daquele ano, quando o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, implementou a linha de microcrédito no fundo.

A proposta é apoiar pequenos produtores com financiamento para capital de giro, aquisição de equipamentos e expansão de negócios familiares, com foco em geração de renda. Nas palavras do ministro, o desafio é fazer a política pública chegar a quem mais precisa.

Segundo os dados informados no texto base, em pouco mais de um ano as contratações de microcrédito no Norte passaram de zero para 3.349, somando R$ 41,4 milhões direcionados à economia da agricultura familiar.

Pagamento antecipado garantiu bônus e abriu nova etapa

Depois de obter o primeiro financiamento, o casal organizou a quitação com disciplina. Edmilson estabeleceu uma rotina mensal de depósitos para garantir o pagamento futuro, o que permitiu antecipar a quitação e acessar o bônus de adimplência, com desconto de 40%.

Com o histórico de pagamento em dia, veio a expansão. Em janeiro de 2026, durante o mutirão de microcrédito com o ministro Waldez Góes, Celina renovou o contrato com R$ 15 mil, e Edmilson, como agricultor, contratou outros R$ 12 mil.

Nesta segunda fase, o foco mudou: se o primeiro crédito viabilizou a logística com a compra do barco, o novo financiamento está direcionado à estrutura produtiva. Celina usa os R$ 15 mil como capital de giro para revenda de farinha de mandioca em maior escala, enquanto Edmilson aplica os R$ 12 mil na expansão do açaizal e na suinocultura.

Autonomia produtiva como meta

O objetivo agora é reduzir custos e depender menos de insumos externos. Edmilson planeja construir baias de madeira para os porcos e adquirir uma máquina de trituração. A ideia, segundo ele, é produzir a própria ração no terreno, usando macaxeira, cana e milho plantados e armazenados pela família, integrando uma atividade à outra.

Para o casal, o microcrédito não se resume ao dinheiro: envolve orientação e compromisso. Edmilson resume o aprendizado como uma relação de confiança que exige responsabilidade para se manter e permitir novos passos no futuro.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.