As frutas brasileiras mais negociadas no exterior hoje são manga, melão, limões e limas, melancia, banana, mamão e uva — e a expectativa em torno do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia reforça esse movimento. Em 2025, o Brasil exportou 1,31 milhão de toneladas de frutas, com faturamento de US$ 1,56 bilhão. Para a Europa, as vendas avançaram em valor e volume, num mercado que já é central para a fruticultura nacional.
Quais frutas estão no centro dessa corrida
Os dados mais recentes da Conab mostram que, no acumulado de 2025, as frutas com maior presença nas exportações brasileiras em volume foram mangas, melões, limões e limas, melancias, bananas, mamões e uvas. Entre elas, manga, melão, limão/lima, melancia e uva aparecem com mais frequência no debate sobre o acordo com a União Europeia porque já têm demanda consolidada no bloco e, em parte dos casos, podem ganhar competitividade com a redução tarifária.
Na prática, isso significa que o interesse do mercado não está concentrado em uma única fruta. Há uma cesta de produtos brasileiros que combina escala, calendário de oferta e presença comercial na Europa, especialmente em janelas em que produtores europeus têm menor oferta. É esse conjunto que vem sendo tratado pelo setor como o principal beneficiário potencial da nova fase do acordo.
O que os dados atuais mostram
Segundo o boletim de janeiro de 2026 da Conab, o volume total exportado de frutas pelo Brasil em 2025 subiu 19,7% sobre 2024, enquanto a receita cresceu 12,8%. No recorte da Europa, as exportações brasileiras avançaram 6,2% em valor e 3,4% em volume no ano passado. O documento também destaca que a temporada seguiu com boas vendas para Europa e Ásia.
Esse dado importa porque a União Europeia já funciona como um dos mercados mais relevantes para a fruta brasileira. Em material oficial do Ministério da Agricultura sobre acesso a mercados, o governo afirma que frutas como abacates, limões, limas, melões e melancias, uvas de mesa e maçãs terão eliminação completa de tarifas, sem quota, dentro do cronograma negociado.
O que muda com o acordo UE-Mercosul
O ponto mais concreto, para o exportador, é a tarifa. A Comissão Europeia informa que o acordo comercial foi aprovado formalmente pelos países da UE e que a aplicação provisória está prevista para 1º de maio de 2026 entre a União Europeia e os países do Mercosul que já concluíram a ratificação. O governo brasileiro confirmou essa mesma data em nota conjunta publicada em 24 de março de 2026.
No caso das frutas, os efeitos variam por produto. Um estudo técnico publicado no Agroinsight do Ministério da Agricultura aponta que a uva de mesa tende a ter um dos ganhos mais visíveis, com tarifa caindo de 11,5% para 0%. Para a banana, a tarifa de entrada no mercado europeu cairia de 114 euros por tonelada para 75 euros por tonelada. Já o mesmo estudo avalia que, para o abacaxi, a redução de 5,8% para 4% melhora o acesso, mas pode não ser suficiente para uma mudança estrutural de competitividade.
A Conab também destaca um caso de transição mais longa: a melancia, hoje com tarifa de 10%, deverá ter isenção total ao longo de 10 anos, o que pode ampliar a competitividade brasileira frente a fornecedores como África do Sul, Chile e Peru.
Por que manga, melão e limão aparecem tanto
Essas frutas já estão entre as mais embarcadas pelo Brasil e têm forte presença nos canais exportadores do Nordeste e do Sudeste. Além disso, o mercado europeu é tradicional para esse grupo. Em dados oficiais divulgados pelo Ministério da Agricultura sobre a pauta de 2023, a União Europeia respondeu por 67,2% do valor exportado pelo Brasil em melões frescos e por 81% do valor exportado em limões e limas, um sinal de dependência comercial que ajuda a explicar por que o setor acompanha tão de perto a nova etapa do acordo.
No caso da manga, o ganho não depende apenas de tarifa. A fruta já é uma das líderes da pauta brasileira e se beneficia de fatores como calendário de colheita, estrutura exportadora e demanda externa em momentos de menor oferta de concorrentes. A própria Conab registrou crescimento das exportações de manga em 2025 e classificou as vendas à Europa como fortes no período.
Quem pode sentir primeiro os efeitos
Os efeitos devem ser sentidos primeiro por produtores, exportadores, cooperativas, tradings, operadores logísticos e polos de embalagem e certificação, sobretudo em regiões já integradas ao comércio exterior. Isso inclui áreas produtoras de manga e uva no Vale do São Francisco, melão e melancia no Rio Grande do Norte e no Ceará, e polos de limão e lima com forte presença exportadora em São Paulo e no Paraná. A tendência é de que a competição por mercado europeu aumente justamente onde já existe escala, padrão fitossanitário e capacidade de embarque.
Para o leitor fora do setor, o impacto mais importante é entender que o acordo não cria um boom automático, mas melhora as condições de acesso para uma cadeia que já vinha crescendo. Em outras palavras, as frutas que hoje já puxam a pauta exportadora brasileira são as que entram na largada com mais chance de aproveitar a abertura.
O que observar daqui para frente
Há três pontos centrais a acompanhar a partir de agora:
início da vigência provisória em 1º de maio de 2026, já confirmado pelo governo brasileiro e pela Comissão Europeia;
ritmo de redução tarifária por produto, porque nem todas as frutas terão ganho imediato;
capacidade de cumprir exigências sanitárias, logísticas e de rastreabilidade, que continuam sendo decisivas para transformar preferência tarifária em venda efetiva.
Se o cronograma avançar como previsto, manga, melão, limão/lima, melancia e uva devem seguir entre as frutas mais negociadas nessa nova fase da relação UE-Mercosul. O motivo é simples: elas já sustentam boa parte da pauta exportadora, têm mercado aberto ou em expansão na Europa e, agora, passam a contar com uma perspectiva mais favorável de acesso.