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Mamão havaí atinge maior preço desde junho de 2025

Mamão havaí atinge maior preço desde junho de 2025
Ceagesp/Divulgação

Alta no Norte do Espírito Santo refletiu menor oferta e problemas de qualidade; em março, porém, o mercado já voltou a ceder

Atualizado em 12 de março de 2026 às 04:45

O mamão havaí voltou a ganhar força no campo e alcançou, em meados de fevereiro, o maior preço ao produtor desde junho de 2025. Segundo levantamento do Hortifrúti/Cepea, a variedade 12-18 foi negociada a R$ 4,23 por quilo no Norte do Espírito Santo na semana de 10 a 14 de fevereiro. O avanço foi puxado principalmente pela menor disponibilidade de fruta nas lavouras, em um cenário de oferta mais curta e qualidade mais restrita.

O que explica a disparada do mamão havaí

O movimento de alta não surgiu de forma isolada. Antes de chegar a R$ 4,23/kg, o mamão havaí já vinha de recuperação no início de fevereiro de 2026. Na semana de 9 a 13 daquele mês, o Cepea registrou preço médio de R$ 2,64/kg no Norte do Espírito Santo, um salto de 103% sobre a semana anterior, quando a média não passava de R$ 1,50/kg.

De acordo com o Cepea, a valorização foi sustentada por dois fatores centrais: a redução da oferta nas áreas produtoras e a menor disponibilidade de frutas de melhor padrão comercial. Em junho de 2025, quando o mercado também operou em patamar elevado, os pesquisadores já apontavam que chuvas acima do esperado, temperaturas mais baixas e maior incidência de doenças fúngicas limitavam o desenvolvimento dos frutos e reduziam a oferta de mamão de boa qualidade.

Por que isso importa para produtor, atacado e consumidor

Para o produtor, preços mais altos podem melhorar a remuneração em um momento em que clima, sanidade e qualidade pesam no resultado da safra. Para o atacado e o varejo, porém, a alta costuma significar reposição mais cara e maior seletividade na compra, especialmente quando a fruta disponível não tem calibre ou aparência ideais.

No atacado paulista, esse aperto de oferta também apareceu. Na mesma semana em que o preço ao produtor no Espírito Santo bateu R$ 4,23/kg, o mamão havaí 15-18 foi cotado a R$ 52,50 por caixa de 8 kg na Ceagesp, segundo o HF Brasil. Já no fim de junho de 2025, outro período de firmeza, a mesma referência chegou a R$ 80,00 por caixa de 8 kg. Isso ajuda a mostrar que oscilações na roça nem sempre se traduzem de forma linear para o consumidor final, porque entram na conta frete, perdas, seleção e margem de comercialização.

Junho de 2025 seguia como referência do mercado

O último momento em que o mamão havaí havia alcançado um nível superior ao de fevereiro de 2026 foi o fim de junho de 2025. Na semana de 23 a 27 de junho, o Cepea apontou preço de R$ 4,81/kg para o havaí 12-18 no Norte do Espírito Santo. Por isso, a cotação de fevereiro deste ano passou a ser tratada como a mais alta desde aquele período.

Na prática, isso sinaliza um mercado bastante sensível a qualquer mudança de oferta. Quando chuva, temperatura e problemas fitossanitários afetam o ritmo de maturação ou a qualidade da fruta, a reação nos preços pode ser rápida, sobretudo em uma região-chave como o Norte capixaba, uma das principais referências nacionais para o mamão havaí.

O que aconteceu depois da alta

A valorização, no entanto, não se sustentou por muito tempo. Já na primeira semana de março, de 2 a 6, o mamão havaí 12-18 no Norte do Espírito Santo recuou para R$ 2,78/kg, queda de 34% frente à semana anterior. Segundo o HF Brasil, mesmo com menor oferta, a demanda pelo formosa seguiu mais aquecida, em parte porque essa variedade estava mais barata ao consumidor.

Esse recuo mostra que o mercado de mamão continua volátil: sobe quando a oferta aperta, mas pode perder força rapidamente se a procura não acompanhar ou se outra variedade ganhar competitividade. Para quem produz, o cenário reforça a importância de acompanhar clima, sanidade e padrão da fruta. Para o consumidor, indica que novas oscilações de preço seguem no radar nas próximas semanas.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.