O Ministério da Saúde lançou em 6 de fevereiro de 2026 um projeto - piloto para substituir gradualmente a insulina humana NPH pela insulina análoga de ação prolongada (glargina) no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa terá início no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal, priorizando crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais, portadores de diabetes tipo 1 ou 2.
Avanço histórico e impacto na rotina dos pacientes
A adoção da glargina representa um avanço terapêutico por oferecer até 24 horas de ação com aplicação única diária, reduzindo a necessidade de múltiplas doses e facilitando o equilíbrio glicêmico. Estima-se que mais de 50 mil pacientes sejam contemplados nesta primeira fase do programa.
Uso estratégico do poder de compra do SUS
Para o ministro Alexandre Padilha, “a expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Isso é parte de uma política do governo federal, do presidente Lula, de usar o poder de compra do SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro a fim de garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”. Ele também reforça que “depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país. Isso traz garantia e segurança para os pacientes”.
Projeto - piloto e cronograma de expansão
O processo será implementado de forma gradual, com avaliação individual de cada paciente. Profissionais de Atenção Primária recebem capacitação, em parceria com a Fiocruz e a Biomm, sobre o uso adequado das canetas aplicadoras e a administração correta do medicamento. Os treinamentos, iniciados em 27 de janeiro, se estendem até meados de fevereiro, quando será feita a avaliação dos resultados iniciais e a definição do cronograma nacional de expansão.
Custos e padronização internacional
Na rede privada, dois meses de tratamento com insulina glargina podem chegar a R$ 250. A oferta pelo SUS está alinhada às melhores práticas internacionais, garantindo acesso gratuito a terapias modernas que já são padrão em diversos países.
Aliança público - privada para autonomia produtiva
A produção da insulina glargina no Brasil decorre de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre Bio‑Manguinhos / Fiocruz, Biomm e Gan & Lee, que inclui transferência tecnológica para fabricação local. Em 2025, mais de 6 milhões de tubetes foram produzidos com investimento de R$ 131 milhões, e há previsão de alcançar 36 milhões de tubetes até o fim de 2026.
“A autonomia na produção de insulina é fundamental diante do cenário de escassez global deste insumo.”
Parcerias ampliadas para insulinas NPH e regular
Além da glargina, o Ministério da Saúde firmou acordo com Wockhardt, Funed e Biomm para transferência de tecnologia das insulinas NPH e regular. O contrato prevê 8 milhões de unidades até 2026, das quais quase 2 milhões já foram entregues, com investimento de R$ 142 milhões do governo federal.
Monitoramento e governança
O Grupo de Trabalho da Insulina, criado em novembro de 2025, conduz estudos para orientar a transição, considerando restrições globais na produção de insulina NPH e regular. Todo o processo será monitorado por meio de dados contínuos e acompa-nhamento das equipes das secretarias estaduais e municipais de saúde.
SUS e o cuidado integral ao paciente com diabetes
Diagnóstico e monitoramento multidisciplinar;
Oferta de quatro tipos de insulina: NPH, Regular, análogas de ação rápida e prolongada;
Medicamentos orais conforme quadro clínico;
Atenção Primária como porta de entrada e coordenação do cuidado.
O SUS reafirma seu compromisso de oferecer tratamento integral a pessoas com diabetes, integrando inovação, autonomia produtiva e equidade no acesso.