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Insulina moderna: SUS inicia mudança histórica no tratamento do diabetes

Insulina moderna: SUS inicia mudança histórica no tratamento do diabetes
i-SENS, USA - Pexels

Projeto-piloto leva insulina glargina a quatro estados, beneficiando crianças, adolescentes e idosos a partir de 80 anos

Atualizado em 09 de fevereiro de 2026 às 11:15

O Ministério da Saúde lançou em 6 de fevereiro de 2026 um projeto - piloto para substituir gradualmente a insulina humana NPH pela insulina análoga de ação prolongada (glargina) no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa terá início no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal, priorizando crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais, portadores de diabetes tipo 1 ou 2.

Avanço histórico e impacto na rotina dos pacientes

A adoção da glargina representa um avanço terapêutico por oferecer até 24 horas de ação com aplicação única diária, reduzindo a necessidade de múltiplas doses e facilitando o equilíbrio glicêmico. Estima-se que mais de 50 mil pacientes sejam contemplados nesta primeira fase do programa.

Uso estratégico do poder de compra do SUS

Para o ministro Alexandre Padilha, “a expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Isso é parte de uma política do governo federal, do presidente Lula, de usar o poder de compra do SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro a fim de garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”. Ele também reforça que “depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país. Isso traz garantia e segurança para os pacientes”.

Projeto - piloto e cronograma de expansão

O processo será implementado de forma gradual, com avaliação individual de cada paciente. Profissionais de Atenção Primária recebem capacitação, em parceria com a Fiocruz e a Biomm, sobre o uso adequado das canetas aplicadoras e a administração correta do medicamento. Os treinamentos, iniciados em 27 de janeiro, se estendem até meados de fevereiro, quando será feita a avaliação dos resultados iniciais e a definição do cronograma nacional de expansão.

Custos e padronização internacional

Na rede privada, dois meses de tratamento com insulina glargina podem chegar a R$ 250. A oferta pelo SUS está alinhada às melhores práticas internacionais, garantindo acesso gratuito a terapias modernas que já são padrão em diversos países.

Aliança público - privada para autonomia produtiva

A produção da insulina glargina no Brasil decorre de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre Bio‑Manguinhos / Fiocruz, Biomm e Gan & Lee, que inclui transferência tecnológica para fabricação local. Em 2025, mais de 6 milhões de tubetes foram produzidos com investimento de R$ 131 milhões, e há previsão de alcançar 36 milhões de tubetes até o fim de 2026.

“A autonomia na produção de insulina é fundamental diante do cenário de escassez global deste insumo.”

Parcerias ampliadas para insulinas NPH e regular

Além da glargina, o Ministério da Saúde firmou acordo com Wockhardt, Funed e Biomm para transferência de tecnologia das insulinas NPH e regular. O contrato prevê 8 milhões de unidades até 2026, das quais quase 2 milhões já foram entregues, com investimento de R$ 142 milhões do governo federal.

Monitoramento e governança

O Grupo de Trabalho da Insulina, criado em novembro de 2025, conduz estudos para orientar a transição, considerando restrições globais na produção de insulina NPH e regular. Todo o processo será monitorado por meio de dados contínuos e acompa-nhamento das equipes das secretarias estaduais e municipais de saúde.

SUS e o cuidado integral ao paciente com diabetes

  • Diagnóstico e monitoramento multidisciplinar;

  • Oferta de quatro tipos de insulina: NPH, Regular, análogas de ação rápida e prolongada;

  • Medicamentos orais conforme quadro clínico;

  • Atenção Primária como porta de entrada e coordenação do cuidado.

O SUS reafirma seu compromisso de oferecer tratamento integral a pessoas com diabetes, integrando inovação, autonomia produtiva e equidade no acesso.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.