Ibama interceptou, o escoamento ilegal de madeira nativa na região de Aripuanã, no noroeste de Mato Grosso, após identificar um ponto de armazenamento usado para ocultar o produto e driblar a fiscalização, impedindo que 837 m³ entrassem no mercado clandestino.
Fiscalização em Mato Grosso mira cadeia da madeira
A ação foi conduzida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no estado de Mato Grosso e ocorreu no âmbito do Grupo de Combate ao Desmatamento da Amazônia (GCDA). O foco, segundo as informações divulgadas, foi bloquear uma rota de circulação e beneficiamento de madeira nativa que ocorria à margem do controle ambiental.
O trabalho de campo apontou um padrão conhecido das equipes de fiscalização: além do corte e do transporte, a estrutura de apoio — como locais de guarda e beneficiamento — é usada para dificultar a identificação da origem do material e para tentar evitar a apreensão durante as inspeções.
O que os agentes chamaram de “pátio fantasma”
Durante a operação, os agentes ambientais localizaram a madeira guardada em um pátio abandonado na área urbana de Aripuanã, região onde se concentram grandes serrarias. De acordo com o Ibama, o espaço funcionava como um depósito informal: a madeira era mantida escondida para despistar a fiscalização e, em momentos de menor vigilância, era beneficiada e transportada para abastecer o comércio ilegal.
Ao identificar o ponto e impedir a retirada do produto, a fiscalização interrompeu o fluxo que permitiria que o material fosse escoado e, posteriormente, incorporado de forma irregular a sistemas de controle.
Volume apreendido e estimativa de valor
O volume total apreendido foi de 837 m³ de madeira nativa. Do montante, 763 m³ estavam em estado bruto, na forma de toras, e o restante já havia passado por serragem.
A estimativa apresentada para o produto florestal apreendido foi superior a R$ 250 mil. A medida, além de impedir o avanço do material no mercado clandestino, representa a perda do bem por parte dos envolvidos na irregularidade.
Destino da madeira: do crime ambiental para obras na cidade
Após a apreensão, a madeira foi destinada à Prefeitura Municipal de Aripuanã. O Ibama informou que a doação sumária do material tem amparo na Instrução Normativa Ibama nº 19/2023, que prevê a destinação do produto em situações específicas, com foco no interesse público.
Conforme a administração municipal, a madeira será aplicada em obras sociais, com prioridade para a revitalização de pontes tanto na zona rural quanto na zona urbana. Na prática, a destinação transforma um item associado a um crime ambiental em recurso para atender demandas de infraestrutura que impactam diretamente a população.
Presença contínua e novas ações no bioma amazônico
O Ibama destacou que as ações do GCDA vêm sendo tratadas como parte central da estratégia de enfrentamento à destruição do bioma amazônico. Um dos objetivos é manter equipes em campo ao longo de todo o ano, inclusive no chamado “inverno amazônico”, período de chuvas, para inibir a atuação de grupos criminosos que operam na região.
Segundo o órgão, outras fiscalizações devem ocorrer no bioma, incluindo ações em áreas com desmatamento e em terras indígenas, com o objetivo contínuo de contribuir para a queda nas taxas de desmatamento ilegal.