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Há 334 anos, Salem iniciava os julgamentos que viraram símbolo de histeria

Há 334 anos, Salem iniciava os julgamentos que viraram símbolo de histeria
Isabella Bisordi - perfil

Em 1692, acusações de bruxaria levaram a prisões, execuções e deixaram um caso histórico sobre medo, religião e falhas da Justiça.

Atualizado em 07 de março de 2026 às 19:30

334 anos, a vila de Salem, na colônia da baía de Massachusetts, entrava em um dos episódios mais conhecidos da história dos Estados Unidos. Em 1692, denúncias de bruxaria contra moradoras da região deram início a interrogatórios, prisões e julgamentos que terminariam com dezenas de condenações e 20 pessoas executadas, além de uma vítima morta sob tortura.

O que aconteceu em Salem

O episódio começou quando meninas da comunidade passaram a apresentar comportamentos descritos na época como convulsões, gritos e crises. Sem explicação médica aceita naquele contexto, líderes locais e religiosos passaram a tratar os casos como possível ação sobrenatural.

As primeiras acusadas foram Tituba, uma mulher escravizada na casa do reverendo Samuel Parris, além de Sarah Good e Sarah Osborne. Os primeiros exames judiciais ocorreram no início de março de 1692, marco que costuma ser apontado como o começo formal da escalada de acusações.

Por que os julgamentos ficaram tão marcados

O caso de Salem se tornou um símbolo duradouro porque expôs como medo coletivo, pressão religiosa, rivalidades locais e procedimentos judiciais frágeis podem produzir tragédias. Ao longo de 1692, mais de 150 pessoas foram presas ou acusadas de envolvimento com bruxaria.

Entre os pontos mais controversos estava o uso de chamado testemunho espectral — quando alguém dizia ter sido atacado, em visão ou sonho, pelo espírito de uma pessoa acusada. Hoje, esse tipo de alegação é visto como exemplo extremo de prova sem base material.

Quantas pessoas morreram

Ao final da crise, 19 pessoas foram enforcadas e uma foi morta sob esmagamento: Giles Corey, que se recusou a apresentar declaração formal ao tribunal. Outras pessoas morreram na prisão enquanto aguardavam desfecho dos processos.

As execuções ocorreram principalmente entre junho e setembro de 1692. Com o aumento das críticas aos procedimentos e à qualidade das provas, autoridades da colônia começaram a rever os julgamentos, e o ciclo de acusações perdeu força.

O que mudou depois

Nos anos seguintes, parte das decisões foi anulada, e familiares de vítimas buscaram reconhecimento oficial do erro. O caso passou a ser estudado como exemplo histórico de perseguição movida por pânico moral e abuso institucional.

Salem também virou referência frequente em debates sobre falsas acusações, intolerância religiosa e momentos em que o sistema de Justiça falha ao agir sob pressão social. Por isso, o episódio segue lembrado muito além do contexto colonial norte-americano.

Por que a história ainda importa hoje

Mais do que uma curiosidade histórica, os julgamentos de Salem ajudam a entender como sociedades podem transformar suspeitas frágeis em condenações graves quando medo, crença e autoridade se misturam sem controle. O caso continua relevante em discussões sobre desinformação, histeria coletiva e garantias legais.

Ao revisitar o início desses julgamentos, 334 anos depois, o que permanece não é apenas a memória de um episódio dramático, mas o alerta sobre os riscos de decisões tomadas sem prova consistente, direito de defesa efetivo e freios institucionais.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.