A guerra no Oriente Médio tende a aumentar o custo de produção da laranja no Brasil ao pressionar três itens centrais da citricultura: combustível, frete e fertilizantes. O impacto não depende apenas do pomar. Ele passa pela alta do petróleo, pelo encarecimento do transporte e por uma cadeia global de insumos mais cara num momento em que o setor já opera com margens apertadas e enfrenta perdas provocadas pelo greening.
Por que o conflito afeta a laranja no Brasil
O principal canal de transmissão é energético. Com a guerra e as restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de petróleo, subiram os riscos de encarecimento do diesel, do frete marítimo e do seguro de cargas. Segundo a consultoria ICIS, a Abiquim avalia que o Brasil continua exposto porque, embora seja exportador de petróleo, ainda importa derivados como diesel e nafta, o que aumenta a sensibilidade da economia a choques externos.
Esse efeito chega ao campo de forma direta. Na citricultura, a colheita e o transporte da fruta têm peso elevado no orçamento. Estudo do Cepea mostra que colheita e frete podem representar até 30% dos custos do produtor. Se o diesel sobe, essa conta piora rapidamente.
Fertilizantes entram na pressão de custos
O segundo canal é o dos insumos agrícolas. O Oriente Médio tem papel relevante na oferta global de nitrogenados, como ureia e amônia. A ICIS informou em março que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, o que deixa o agronegócio brasileiro vulnerável a interrupções de oferta e a saltos de preços no mercado internacional.
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