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Guerra no Irã eleva risco ambiental e climático, aponta relatório

Guerra no Irã eleva risco ambiental e climático, aponta relatório
Reprodução

Levantamento e alertas da ONU indicam danos já visíveis no ar, na água e na infraestrutura, com efeitos que podem durar anos e extrapolar as fronteiras iranianas.

Atualizado em 31 de março de 2026 às 08:54

A guerra no Irã já deixou de ser apenas uma crise militar e humanitária. Relatórios e alertas divulgados em março mostram que o conflito ampliou o risco de poluição do ar, contaminação da água, danos a ecossistemas e aumento de emissões, com impactos potenciais para a saúde pública, a segurança hídrica e o clima na região.

O que o relatório aponta

Um dos diagnósticos mais recentes foi publicado pelo CEOBS, observatório especializado em danos ambientais de guerra. No panorama atualizado até 27 de março de 2026, a entidade afirma que segue monitorando incidentes com potencial de causar prejuízos ambientais dentro do Irã e em áreas vizinhas, incluindo instalações de energia, rotas marítimas e infraestrutura sensível.

Em paralelo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alertou, em nota de 13 de março de 2026, para a inalação direta de fumaça pesada gerada por incêndios em petróleo, o risco de ataques a usinas de dessalinização e o provável agravamento do estresse sobre recursos naturais, ecossistemas marinhos e terrestres, além de retrocessos em esforços de resiliência hídrica e climática.

Por que isso importa agora

O ponto central é que danos ambientais em guerras não desaparecem quando os bombardeios cessam. A Associated Press ouviu especialistas que descrevem uma mistura tóxica de produtos químicos, metais pesados e outros poluentes capaz de afetar agricultura, água potável e saúde humana por décadas. O impacto, portanto, não se resume ao campo de batalha: ele pode comprometer serviços básicos e a recuperação econômica por muito tempo.

Esse risco cresce quando ataques atingem refinarias, depósitos de combustível, instalações petroquímicas ou estruturas ligadas ao abastecimento de água. Segundo especialistas ouvidos pela agência, danos desse tipo podem liberar substâncias altamente tóxicas e ampliar a exposição de populações urbanas a contaminantes perigosos.

Ar, água e mar sob pressão

Entre os efeitos mais imediatos estão a piora da qualidade do ar e a contaminação associada à queima de combustíveis. A ONU destaca preocupação com compostos perigosos presentes na fumaça de petróleo em chamas. Já a AP relatou episódios de chuva escura e ácida após ataques a depósitos de petróleo nos arredores de Teerã, além de orientações de autoridades sanitárias para que moradores permanecessem em locais fechados e usassem máscaras.

No mar, o foco está no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. O CEOBS afirma que, embora muitos navios atingidos até agora não fossem petroleiros, segue existindo risco de derramamentos, com capacidade limitada de resposta. Em uma área crucial para transporte de petróleo e mercadorias, um acidente desse tipo teria efeito ambiental e econômico muito além do Irã.

Risco climático também entra na conta

O conflito também pressiona o clima por duas vias. A primeira é direta: incêndios, destruição de infraestrutura fóssil e operações militares tendem a elevar emissões e liberar poluentes. A segunda é indireta: a desorganização do mercado de energia pode levar países a recorrer mais a combustíveis mais poluentes no curto prazo. A AP informou que a escassez global de petróleo já vinha estimulando, em alguns casos, maior uso de carvão, o que aumenta tanto a poluição do ar quanto as emissões de gases de efeito estufa.

Em outra frente, uma análise do CEOBS advertiu que respostas emergenciais à crise energética podem criar novo lock-in fóssil, isto é, investimentos e decisões que prolongam a dependência de combustíveis fósseis em vez de reduzir vulnerabilidades estruturais.

Quem é mais afetado

Os impactos recaem primeiro sobre moradores próximos a áreas industriais, trabalhadores expostos, crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Mas a lista de afetados é mais ampla:

  • comunidades que dependem de água dessalinizada ou de sistemas frágeis de abastecimento;

  • populações costeiras sujeitas a poluição marinha e prejuízos à pesca;

  • agricultores expostos a solo e água contaminados;

  • países vizinhos afetados por fumaça, instabilidade logística e risco de acidentes ambientais transfronteiriços.

Esse caráter transfronteiriço é um dos motivos pelos quais o tema passou a ser tratado não só como questão ecológica, mas também de segurança humana e de saúde pública.

O que pode acontecer a seguir

No curto prazo, especialistas tendem a observar quatro frentes: novos incêndios em infraestrutura energética, eventuais derramamentos no Golfo, danos a instalações de água e o acúmulo de resíduos tóxicos de guerra. Se o conflito se prolongar, o custo pode migrar do impacto agudo para um passivo duradouro, com limpeza difícil, monitoramento prolongado e riscos crônicos à saúde. Essa é uma inferência compatível com os alertas recentes da ONU, do CEOBS e de especialistas ouvidos pela AP.

Na prática, o avanço da guerra no Irã amplia uma conta ambiental que costuma receber menos atenção do que as movimentações militares, mas pode durar muito mais. O que está em jogo não é apenas o dano visível de agora, e sim o efeito acumulado sobre água, ar, alimentos, energia e clima em uma das regiões mais sensíveis do planeta.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.