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Grupo Trebeschi entra em recuperação judicial com dívida bilionária

Grupo Trebeschi entra em recuperação judicial com dívida bilionária
Divulgação

Pedido foi protocolado em Araguari (MG) e envolve passivo total de R$ 1,27 bilhão; grupo diz que busca reorganizar as finanças e manter a operação.

Atualizado em 13 de abril de 2026 às 06:39

O Grupo Trebeschi, apontado pelo mercado como o maior produtor de tomate in natura do Brasil, pediu recuperação judicial na 1ª Vara Cível de Araguari, no Triângulo Mineiro. O passivo total informado é de R$ 1,27 bilhão, enquanto R$ 637 milhões entraram no pedido apresentado à Justiça. A empresa afirma que a medida busca preservar as atividades, renegociar dívidas e manter empregos.

O que entrou no pedido

Segundo reportagem da CNN Brasil, o grupo informou dívidas de R$ 637 milhões incluídas no processo, dentro de um passivo total de cerca de R$ 1,2 bilhão. Já o Diário do Comércio e o portal Regionalzão apontam passivo total de R$ 1,27 bilhão, valor que tem sido repetido na cobertura do caso.

Entre os débitos levados ao processo, R$ 452,6 milhões seriam de credores quirografários, categoria sem garantia real e que costuma incluir fornecedores e parte relevante dos financiadores, conforme a CNN Brasil.

Por que o caso importa

O pedido chama atenção porque envolve uma empresa de grande porte no hortifruti nacional. De acordo com a CNN Brasil e com o catálogo institucional da Trebeschi, o grupo é apresentado como líder em tomate in natura, produz mais de 75 mil toneladas por ano, cultiva em mais de 17 mil hectares e emprega mais de 3 mil pessoas.

A operação não se limita ao tomate. Segundo o Diário do Comércio, o grupo também atua com grãos, café, alho, cebola, batata e logística, o que amplia o impacto potencial sobre fornecedores, transportadores, bancos, cooperativas de crédito e cidades onde mantém atividade.

O que levou à crise, segundo a empresa

Na petição e nas declarações reproduzidas pela imprensa, o grupo atribui a deterioração financeira a uma combinação de fatores desde 2021: clima adverso, alta de fertilizantes e defensivos, juros elevados e queda nos preços de commodities como soja e milho. Esse conjunto teria comprimido margens e prejudicado o fluxo de caixa, segundo o Diário do Comércio e a CNN Brasil.

O Regionalzão, com base na petição inicial, informou ainda que o grupo contratou mais de R$ 500 milhões em novos financiamentos entre 2024 e 2025 numa tentativa de sustentar a operação, o que agravou o nível de endividamento.

O que muda agora na prática

Na recuperação judicial, a empresa tenta negociar de forma organizada com os credores e apresentar um plano para reequilibrar as contas. A CNN Brasil informou que o pedido inclui a suspensão das cobranças e execuções por 180 dias, período usado para dar fôlego à reestruturação.

Isso não significa encerramento automático das atividades. Ao contrário: a lógica da recuperação judicial é tentar preservar a operação viável enquanto a empresa renegocia o passivo. Em declaração reproduzida pelo Diário do Comércio, o fundador e CEO Édson Trebeschi disse que a medida busca proteger a operação, preservar empregos e reorganizar a estrutura financeira.

Quem pode ser afetado

Os efeitos imediatos tendem a ser sentidos em diferentes frentes:

  • credores financeiros, como bancos e cooperativas;

  • fornecedores de insumos, embalagens e serviços;

  • transportadoras e parceiros logísticos;

  • trabalhadores ligados à produção e à distribuição;

  • municípios com operações agrícolas e comerciais do grupo.

Entre os credores citados na cobertura da CNN Brasil estão Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Rabobank e cooperativas como o Sicoob, além de menção a dívidas com Santander e Safra.

O caso também expõe a pressão no agro

O pedido do Grupo Trebeschi ocorre num momento de aumento das recuperações judiciais no agronegócio. Dados da Serasa Experian mostram que, no segundo trimestre de 2025, houve 565 solicitações de recuperação judicial em toda a cadeia do agro, alta de 31,7% ante o mesmo período de 2024.

No recorte de empresas ligadas ao agronegócio, a Serasa registrou 102 pedidos no segundo trimestre de 2025, o maior volume da série recente divulgada pela companhia. O dado ajuda a colocar o caso Trebeschi em perspectiva: não se trata de um episódio isolado, mas de um ambiente mais pressionado por crédito caro, custos elevados e volatilidade no campo.

Qual é o próximo passo

Depois do protocolo, o andamento depende das decisões da Justiça sobre o processamento do pedido e das etapas formais do processo, como a organização da lista de credores e a apresentação de um plano de recuperação. Em seguida, os credores terão de analisar se as condições propostas são viáveis.

Para o mercado, o ponto central agora é saber se a empresa conseguirá transformar escala operacional em capacidade real de pagamento. Para produtores, fornecedores e compradores, o acompanhamento do caso importa porque a Trebeschi ocupa posição relevante numa cadeia em que financiamento, clima e preço agrícola continuam no centro do risco.

Contexto do setor de tomate

O tamanho da operação também ajuda a explicar a repercussão. A produção brasileira de tomate ficou em torno de 4,7 milhões de toneladas na safra de 2024, segundo dados do IBGE citados pela Agrodefesa de Goiás. Goiás lidera no tomate industrial, enquanto São Paulo e Minas Gerais têm peso relevante no tomate de mesa, segmento em que o grupo mineiro se consolidou.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.