Em 5 de fevereiro de 2026, diante da estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) de que entre 2026 e 2028 serão registrados cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano – ou aproximadamente 518 mil excluindo tumores de pele não melanoma –, o Governo do Brasil intensificou sua resposta ao lançar o programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa, criada em 2025, visa fortalecer a prevenção, acelerar o diagnóstico precoce e garantir o tratamento oportuno pelo SUS.
Os números divulgados em 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, confirmam o crescimento dessa doença como uma das principais causas de adoecimento e óbitos no país, impulsionada pelo envelhecimento da população. Ao colocar a oncologia no centro de suas políticas, o governo celebra ganhos recentes e anuncia novas metas para estruturar “a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo”, conforme definição do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Tipos mais incidentes
O levantamento do INCA aponta os cinco cânceres com maior incidência no Brasil:
Homens: próstata; cólon e reto; pulmão; estômago; cavidade oral.
Mulheres: mama; cólon e reto; colo do útero; pulmão; tireoide.
O câncer de pele não melanoma aparece em separado devido à sua alta ocorrência e baixa letalidade. O estudo destaca ainda o potencial de prevenção e detecção precoce de tumores do colo do útero e colorretais.
Acesso ampliado à mamografia
Para intensificar a detecção precoce, o Ministério da Saúde expandiu o público-alvo da mamografia no SUS. Agora mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, podem realizar o exame na rede pública, e a idade máxima passou de 69 para 74 anos.
Somente em 2025, o SUS realizou cerca de 3 milhões de mamografias bilaterais de rastreamento, e 92% das mulheres entre 50 e 69 anos relataram ter feito o exame, segundo dados da Pesquisa Vigitel/MS 2025.
Medicamentos e terapias inovadoras
Um marco recente foi a incorporação de um medicamento inédito para câncer de mama HER2 positivo. A terapia, que teve investimento de R$ 159,3 milhões – com custo 50% menor que o preço de mercado –, pode reduzir em até 50% a mortalidade e já está disponível no SUS.
Infraestrutura móvel e equipamentos
Em 2025, 33 carretas voltadas à saúde da mulher percorrem o país oferecendo mamografia, ultrassonografias pélvica e transvaginal e biópsias. O programa também incorporou 24 novos aceleradores lineares, entre eles o primeiro no Amapá, cada um com capacidade para atender ao menos 600 pacientes ao ano. Para 2026, estão previstas mais 131 aquisições.
Quimioterapia e radioterapia em expansão
O sistema público alcançou quase 7 milhões de procedimentos de quimioterapia até novembro de 2025, um aumento de cerca de 80% em comparação aos 3,9 milhões de 2022. Na radioterapia, uma nova portaria vinculou o repasse de recursos ao número de pacientes atendidos e instituiu auxílios para transporte, alimentação e hospedagem.
Diagnóstico do colo do útero e vacinação contra HPV
O Agora Tem Especialistas incorporou o teste molecular DNA-HPV em 12 estados, ampliando o rastreamento organizado no SUS. Paralelamente, a campanha de vacinação contra HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos atingiu 85% de cobertura entre meninas e 73% entre meninos em 2025. Oito estados superaram 90%, meta da OMS para 2030.
Estratégia Viva Mais Brasil
No início de 2026, o Governo do Brasil lançou a Estratégia Viva Mais Brasil, com investimento de R$ 340 milhões em dez compromissos de promoção da saúde. A iniciativa inclui estímulo à atividade física, alimentação saudável, redução do tabagismo e do consumo de álcool, ampliação da vacinação e fortalecimento da prevenção de doenças crônicas. A Academia da Saúde receberá mais R$ 40 milhões ainda em 2026.