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Golpe da “Mão Fantasma” no celular: como funciona o acesso remoto e o que fazer para se proteger

Golpe da “Mão Fantasma” no celular: como funciona o acesso remoto e o que fazer para se proteger
Sora Shimazaki

Trojans de acesso remoto (RAT) podem assumir o controle do aparelho à distância, ver a tela em tempo real e até interceptar SMS; checar permissões de Acessibilidade e evitar links suspeitos ajuda a reduzir o risco

Atualizado em 02 de fevereiro de 2026 às 11:46

Você está usando o celular normalmente e, de repente, a tela começa a se mexer sozinha. Aplicativos abrem, teclas são “tocadas” e senhas parecem ser digitadas sem que você encoste no aparelho. Essa é a situação que inspirou o nome “Golpe da Mão Fantasma”, associado a ataques em que criminosos usam trojans de acesso remoto (RAT, de Remote Access Trojan) para controlar o dispositivo à distância, com foco principalmente em fraudes financeiras.

Nesse tipo de golpe, a invasão não depende de falhas no aplicativo do banco. O caminho costuma passar por vulnerabilidades do sistema operacional e por estratégias que exploram o comportamento do usuário, com uso de phishing e engenharia social.

O que é um RAT e por que ele é perigoso

Os chamados Cavalos de Troia de Acesso Remoto não atuam como um vírus que “quebra” arquivos. O objetivo é abrir uma backdoor e obter privilégios elevados no aparelho. A partir daí, os criminosos podem:

  • ver a tela em tempo real

  • simular toques no touchscreen

  • interceptar SMS, inclusive para roubar códigos de autenticação em duas etapas

  • alterar configurações de segurança

Um ponto central destacado nesse tipo de ataque é o abuso de permissões dos Serviços de Acessibilidade. Quando um app malicioso consegue esse acesso, ele pode ler o que aparece na tela e “clicar” em botões sem que a vítima perceba.

Como o golpe engana a vítima na prática

Uma técnica citada nesses ataques é o Ataque de Sobreposição. A vítima abre o app do banco, mas o malware pode escurecer a tela ou colocar uma imagem falsa por cima, enquanto opera em segundo plano.

A instalação do agente malicioso frequentemente acontece quando o usuário é convencido a baixar algo que parece legítimo, como uma suposta atualização de segurança ou um app de suporte.

Entre as portas de entrada mais comuns estão:

  • phishing com mensagens sobre pontos de fidelidade, compras suspeitas, atualizações cadastrais ou promoções especiais

  • ofertas de falso suporte para “consertar” um problema que surge do nada, no modelo ClickFix

  • instalação de apps de “assistência remota”, como TeamViewer ou AnyDesk, que também podem ser um vetor

  • links patrocinados em anúncios e APKs clandestinos baixados fora da Play Store ou App Store

Como se proteger do Golpe da Mão Fantasma

Uma medida prática para reduzir risco, e também para checar se algo já está errado, é fazer uma Auditoria de Acessibilidade. Isso significa entrar nas configurações do aparelho e revisar quais apps têm permissões de acessibilidade.

Se aparecerem aplicativos desconhecidos ou que não fazem sentido com esse tipo de acesso, inclusive apps comuns como Calculadora ou Lanterna, a orientação é desconfiar e remover essas permissões.

Outras precauções citadas incluem:

  • bloquear a instalação de aplicativos vindos de fontes desconhecidas, mantendo ativa a trava do sistema

  • desconfiar de oferta “boa demais” e de suporte que aparece sem você ter solicitado

  • “Sempre”, “sempre” “vá ao site oficial do serviço verificar a informação” e nunca acesse por links recebidos por mensagem ou e-mail

Se o celular começar a agir sozinho, o que fazer

Se o aparelho estiver realizando ações sem sua interferência, a recomendação é cortar o acesso do invasor:

  1. desconecte o celular da internet, tanto Wi-Fi quanto dados móveis

  2. use outro telefone para contatar o banco e bloquear as contas

  3. para remover completamente o acesso, o mais recomendado é formatar o aparelho ou retornar para as configurações de fábrica

iPhone está imune? Não totalmente

O texto lembra que iPhones contam com o Walled Garden, que dificulta acessos clandestinos, mas não elimina o risco. Também nesse ecossistema, não é impossível cair no golpe da mão fantasma.

Antivírus podem ajudar, mas como os códigos mudam com frequência, a recomendação final é manter a cautela. O texto reforça que seu ceticismo segue sendo a melhor defesa contra golpes.

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