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Gol anulado do Santos no fim amplia debate em empate com o Cruzeiro

Gol anulado do Santos no fim amplia debate em empate com o Cruzeiro
Raul Baretta/Santos FC

Sem Neymar, poupado por controle de carga, time paulista ficou no 0 a 0 no Mineirão e viu o VAR anular o que seria a vitória nos acréscimos.

Atualizado em 22 de março de 2026 às 22:08

O Santos saiu do Mineirão neste domingo, 22 de março de 2026, com a sensação de que deixou dois pontos pelo caminho. No empate por 0 a 0 com o Cruzeiro, pelo Brasileirão, o time chegou a balançar a rede nos acréscimos, mas o lance foi anulado após revisão do VAR por impedimento de Barreal na origem da jogada.

O que aconteceu no lance decisivo

O momento mais quente da partida ficou para os minutos finais. Já aos 51 do segundo tempo, o Santos marcou, mas a revisão em vídeo apontou posição irregular de Barreal, e o gol foi invalidado. O placar, então, permaneceu em branco até o apito final.

Em um jogo travado e de poucas margens, a anulação muda completamente a leitura do resultado: o que poderia ser uma vitória fora de casa virou apenas um ponto somado. Para o torcedor, fica a frustração típica dos lances revisados no detalhe; para a comissão técnica, sobra a necessidade de explicar por que o time produziu tão pouco antes do lance derradeiro.

Por que Neymar não jogou

Neymar, principal nome do elenco, ficou fora da partida. Na véspera, o técnico Cuca explicou que a decisão era ligada ao controle de carga e ao risco físico do camisa 10, citando o calendário apertado e o “risco alto” de lesão em uma sequência de três jogos em sete dias.

A ausência pesa não só pelo talento individual, mas também pelo efeito simbólico. Em partidas equilibradas, um jogador com capacidade de desequilíbrio em poucos toques costuma concentrar a expectativa do torcedor e também a atenção do adversário. Sem ele, o Santos ganhou em preservação física, mas perdeu repertório criativo e poder de definição.

O que o empate diz sobre o Santos

O resultado fora de casa não é desprezível, mas o contexto deixa gosto amargo. O time conseguiu sair sem sofrer gols em Belo Horizonte, algo relevante para uma equipe que tenta ganhar estabilidade no início do campeonato, mas não transformou essa solidez em volume ofensivo suficiente para controlar o jogo com mais conforto.

Quando um empate sem gols termina com um lance anulado nos acréscimos, a discussão quase sempre escapa do desempenho coletivo e vai direto para a arbitragem. É natural. Ainda assim, a partida também reforça um ponto prático: o Santos segue dependente de jogadas isoladas para decidir confrontos equilibrados, sobretudo quando Neymar não está disponível.

O que muda agora

Para o Santos, o principal efeito imediato é emocional. O elenco deixa o campo com a percepção de que esteve perto da vitória, mas também com o alerta de que precisa criar mais para não depender de um único lance revisável. Para Neymar, a tendência é de monitoramento físico antes do próximo compromisso, já que a opção por preservá-lo foi tomada justamente para reduzir risco de nova lesão.

A polêmica do VAR deve seguir na repercussão do jogo porque resume dois debates que acompanham o futebol brasileiro: a precisão técnica das revisões e o impacto prático de decisões milimétricas em partidas de placar curto. No Mineirão, esse debate saiu maior que o próprio jogo.

Autor

Equipe editorial responsável pela apuração e publicação desta matéria.