Brasileiro News

Economia & Finanças

Fundo contra aftosa em SP pode passar de R$ 20 milhões ao ano

Fundo contra aftosa em SP pode passar de R$ 20 milhões ao ano
Herney Gomez Martinez - Pexels

Com a UFESP de 2026 e cobrança por cabeça em duas atualizações anuais do rebanho, arrecadação estimada fica na casa de R$ 21,5 milhões no estado.

Atualizado em 03 de abril de 2026 às 19:18

São Paulo deve colocar em funcionamento, a partir da campanha de atualização de rebanhos de maio, um fundo para reforçar a resposta a emergências sanitárias como a febre aftosa. Pelas regras já publicadas e pelos valores vigentes em 2026, o mecanismo tem potencial para arrecadar mais de R$ 20 milhões por ano no estado, considerando um rebanho bovino superior a 10 milhões de cabeças e a cobrança em duas etapas anuais.

Como a conta chega a mais de R$ 20 milhões

A base legal do fundo foi criada pela Lei estadual 18.077/2024, que instituiu o FUNDESA-PEC e fixou a cobrança de 0,028 UFESP por bovídeo a cada atualização semestral do estoque de rebanho.

Em 2026, a Secretaria da Fazenda de São Paulo definiu a UFESP em R$ 38,42. Na prática, isso leva a uma contribuição de cerca de R$ 1,08 por animal em cada etapa.

Se esse valor for aplicado sobre um rebanho paulista acima de 10 milhões de cabeças em duas campanhas por ano, o potencial de arrecadação supera R$ 21,5 milhões anuais. O número fica alinhado à estimativa de “cerca de R$ 20 milhões por ano” já apresentada pela Secretaria de Agricultura em comunicações recentes sobre o fundo.

O que é o FUNDESA-PEC

O fundo foi criado para custear indenização complementar ao pecuarista em caso de abate ou sacrifício sanitário de animais suspeitos ou atingidos por febre aftosa, além de despesas ligadas à apuração dessa indenização. Em outras palavras, funciona como uma reserva específica para dar resposta mais rápida a uma eventual crise sanitária.

Isso ganhou peso depois que São Paulo passou a operar sem vacinação contra febre aftosa. O estado foi reconhecido nacionalmente como área livre sem vacinação em maio de 2024, e o Brasil recebeu em 2025 o reconhecimento internacional da condição de livre da doença sem vacinação, em certificação da OMSA divulgada pelo Ministério da Agricultura.

Por que isso importa agora

Sem a vacina de rotina, a vigilância sanitária passa a depender ainda mais de cadastro atualizado, rastreabilidade, controle de trânsito animal e reação rápida a qualquer suspeita. Para o produtor, o fundo busca reduzir o risco financeiro de uma medida extrema, como o abate sanitário. Para o estado, ajuda a sustentar a credibilidade sanitária da pecuária paulista.

Esse ponto tem impacto econômico direto. A manutenção do status sanitário é decisiva para a competitividade da carne bovina e para o acesso a mercados mais exigentes. Por isso, o fundo não é apenas uma nova cobrança: ele faz parte da arquitetura de proteção comercial e sanitária da pecuária de São Paulo.

Quem paga e quando a contribuição entra na rotina

A cobrança incide sobre bovídeos — termo técnico que abrange bovinos e bubalinos — declarados nas campanhas semestrais de atualização do rebanho.

O calendário regular da atualização no estado foi definido pela Resolução SAA 28/2024, com duas etapas anuais:

  • de 1º de maio a 7 de junho;

  • de 1º de novembro a 7 de dezembro.

Segundo a Defesa Agropecuária de São Paulo, a operacionalização do FUNDESA-PEC começa na campanha de maio de 2026.

O que muda para o produtor

Na prática, o pecuarista passa a ter uma despesa vinculada à declaração do rebanho, mas também entra num sistema desenhado para dar suporte em um cenário de emergência sanitária. A lei ainda condiciona o pagamento de indenização ao cumprimento integral das obrigações sanitárias, cadastrais, de identificação e de trânsito animal.

Isso significa que a proteção financeira prevista pelo fundo depende de regularidade documental e sanitária. Para quem está fora das exigências, o risco não é só operacional: pode haver perda do acesso à própria indenização em caso de foco.

O que observar daqui para frente

Os próximos meses serão importantes para medir três pontos: o nível de adesão dos produtores, a arrecadação efetiva nas primeiras campanhas e a capacidade do fundo de formar reserva suficiente para uma resposta rápida se houver emergência.

Com os dados oficiais hoje disponíveis, o cenário mais provável é de uma arrecadação anual na casa de R$ 20 milhões a R$ 21,5 milhões. Para o leitor do campo, o recado central é simples: o fundo deixa de ser apenas projeto e passa a entrar na rotina prática da pecuária paulista em 2026.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.