Na terça-feira (3 de fevereiro de 2026), o Fundo Amazônia lançou, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um edital de R$ 80 milhões para impulsionar cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia Legal. A ação busca enfrentar gargalos de logística, beneficiamento, armazenamento e acesso a mercados, beneficiando povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares.
Recursos e abrangência
O edital integra o projeto Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, cujo orçamento total é de R$ 96,6 milhões, financiado integralmente pelo Fundo Amazônia. Desse montante, R$ 80 milhões serão aplicados no fomento socioprodutivo, enquanto R$ 16,6 milhões apoiarão a sistematização de dados produtivos e o fortalecimento estrutural da Conab na região.
Critérios e beneficiários
Estão previstos ao menos 32 projetos, com investimento entre R$ 500 mil e R$ 2,5 milhões, destinados aos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.
Cooperativas e associações da agricultura familiar
Povos indígenas, comunidades quilombolas e tradicionais
Extrativistas e pescadores artesanais
Organizações da sociedade civil com atuação comprovada
Agenda de lançamento e inscrições
O lançamento do edital ocorreu em webinar promovido pela Conab e pelo BNDES, com a participação de autoridades como Edegar Pretto, presidente da Conab; Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES; Ana Terra, secretária de Abastecimento do MDA; Lilian Rahal, secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS; e Bruna de Vita, diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia do MMA. O documento já está disponível no site da Conab.
“Esse apoio do Fundo Amazônia chega à ponta, fortalecendo quem produz de forma sustentável. Ao ampliar o acesso a infraestrutura e mercados, criamos condições reais para geração de renda, redução das desigualdades e manutenção da floresta em pé.”
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
Impacto no desenvolvimento regional
Ao valorizar o protagonismo local, o edital prioriza propostas com maior número de beneficiários, liderança feminina, participação de jovens e atuação em cadeias da sociobiodiversidade. Espera-se ampliar o acesso a políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade e do Extrativismo (Sociobio Mais).
“Reconhecer que esses povos são guardiões da floresta significa promover um modelo de desenvolvimento sustentável capaz de cuidar da biodiversidade, enfrentar a mudança do clima e garantir um novo ciclo de prosperidade para as brasileiras e brasileiros.”
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Visão da agricultura familiar
Para Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o edital reforça o papel estratégico da agricultura familiar na região, ampliando o acesso a mercados institucionais e valorizando produtos da sociobiodiversidade em um modelo integrado de produção sustentável e desenvolvimento regional.
Governança e desafios
O Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), formado por representantes do governo federal, dos nove estados da Amazônia Legal e da sociedade civil, define as diretrizes de apoio e os eixos de atuação. Apesar do histórico de resultados, o fundo enfrenta o desafio de manter a regularidade das doações internacionais e ampliar o engajamento local na elaboração de projetos alinhados ao PPCDAm (Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento na Amazônia Legal), lançado em 2004.
Fundo Amazônia e histórico
Criado em 2008 e gerido pelo BNDES em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Fundo Amazônia já captou doações para o combate ao desmatamento e a conservação da floresta. Com mais de 140 projetos apoiados e cerca de R$ 5 bilhões aprovados, o fundo financia desde produção sustentável até monitoramento de terras indígenas e combate a incêndios florestais.