A pressão por reajuste no frete voltou ao centro da logística em Santa Catarina. Às vésperas de 19 de março de 2026, o setor chega a esse novo momento com três dados que ajudam a explicar a insatisfação dos caminhoneiros: o piso mínimo do frete foi revisto pela ANTT em janeiro, o diesel disparou na primeira quinzena de março e a NTC&Logística aponta que o frete praticado no país está, em média, 10,1% abaixo do custo real da operação.
O que está por trás da pressão por aumento do frete
A Agência Nacional de Transportes Terrestres informou que a nova regra do piso mínimo entrou em vigor em 20 de janeiro de 2026 e atualizou os coeficientes de cálculo para deixá-los mais aderentes aos custos operacionais reais do transporte rodoviário. Na prática, isso mexe diretamente com as negociações entre embarcadores, transportadoras e autônomos.
Mesmo com a revisão da tabela, o custo voltou a apertar. Na semana de 8 a 14 de março de 2026, a ANP registrou alta de 12,03% no preço médio do diesel B S10 no Brasil, para R$ 6,89 por litro. Em Florianópolis, o preço médio do diesel S10 foi de R$ 6,42 no mesmo período.
Ao mesmo tempo, a NTC&Logística afirmou no comunicado do CONET de fevereiro que o frete praticado no transporte rodoviário de cargas apresenta hoje uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais apurados pela entidade. Segundo a associação, o problema combina pressão regulatória, novos custos com seguros, exigência maior de cumprimento do piso mínimo e perda de produtividade.
Por que isso importa tanto em Santa Catarina
Santa Catarina é um estado especialmente sensível a qualquer trava no transporte rodoviário porque depende fortemente das estradas para abastecimento interno, circulação industrial e acesso aos portos. O histórico recente ajuda a medir esse risco: no balanço nacional de 2025 divulgado pela PRF, o estado aparece entre os que mais registraram sinistros em rodovias federais, com 8.184 ocorrências, o que mostra o peso e a intensidade do fluxo rodoviário local.
A tensão em torno do frete já teve reflexo concreto no litoral norte catarinense neste ano. Em 19 de fevereiro de 2026, caminhoneiros fizeram uma paralisação ligada ao frete interno no entorno do Porto Itapoá. Na ocasião, o terminal informou que a operação portuária não foi afetada e que a negociação sobre reajuste cabia aos caminhoneiros e às empresas contratantes do serviço.
O que muda para quem depende das estradas
Se a pressão por reajuste avançar para paralisações mais amplas, os primeiros efeitos tendem a aparecer em cadeias que dependem de entrega contínua e giro rápido, como alimentos, combustíveis, insumos industriais e cargas de exportação. Em Santa Catarina, isso também atinge diretamente a rotina de cidades conectadas aos corredores das BR-101, BR-280, BR-282 e BR-470, além dos acessos portuários. Essa é uma inferência jornalística baseada no perfil logístico do estado e no papel do transporte rodoviário no abastecimento nacional.
O que o leitor precisa acompanhar agora
Neste momento, os dados mais sólidos para entender o impasse são os custos. Eles mostram que a discussão sobre frete não acontece no vazio: o piso mínimo foi revisto pela ANTT em janeiro, o diesel subiu forte em março e entidades do setor dizem que o preço cobrado ainda não recompõe a operação. Para embarcadores, transportadoras, autônomos e empresas que dependem de carga em Santa Catarina, o ponto decisivo daqui para frente é saber se a pressão vai se limitar à renegociação comercial ou se avançará para novos atos de paralisação.