Trabalhadores demitidos sem justa causa que aderiram ao saque-aniversário do FGTS terão uma nova liberação de recursos até 26 de maio de 2026. A medida alcança quem ficou com parte do dinheiro retido ao ser desligado e, segundo o governo federal, prevê o desbloqueio adicional de R$ 7,7 bilhões para mais de 10,5 milhões de pessoas, com depósito direto nas contas cadastradas no aplicativo FGTS.
Quem tem direito ao pagamento
O anúncio não vale para todo trabalhador demitido. O público atingido é formado por quem optou pelo saque-aniversário e foi dispensado sem justa causa no período de 2020 a 2025, ficando com saldo bloqueado na conta do fundo.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, essa liberação complementar altera a regra criada pela Medida Provisória nº 1.331, publicada em 23 de dezembro de 2025, que já havia autorizado uma rodada extraordinária de saques para trabalhadores nessa situação.
Na prática, a mudança busca destravar dinheiro que ainda permaneceu retido mesmo após a medida anterior.
O que muda agora
Pela regra tradicional do saque-aniversário, o trabalhador pode retirar uma parte do saldo do FGTS todos os anos no mês de nascimento, mas perde o direito de sacar integralmente a conta quando é demitido sem justa causa, recebendo apenas a multa rescisória. Foi justamente esse bloqueio que gerou a retenção de parte dos valores de milhões de trabalhadores.
A Caixa, agente operador do FGTS, explica em sua página sobre o saque-aniversário que essa modalidade é opcional e diferente do saque-rescisão, que é a regra padrão para quem prefere manter o direito ao saque integral em caso de demissão sem justa causa.
Com a nova liberação anunciada pelo governo, o crédito será feito automaticamente para as contas já cadastradas no app FGTS. A orientação é acompanhar o aplicativo para verificar se há conta indicada para recebimento e consultar o extrato.
O que continua bloqueado
Nem todo o saldo necessariamente ficará livre. De acordo com o governo, permanecem bloqueados apenas os valores que estejam comprometidos com instituições financeiras em operações de antecipação do saque-aniversário.
Isso significa que, se o trabalhador contratou empréstimo usando parcelas futuras do FGTS como garantia, a parte vinculada a essa operação continua reservada para o pagamento do contrato, conforme as condições acertadas com o banco.
Por que isso importa
O tema afeta diretamente trabalhadores que perderam o emprego e não conseguiram acessar todo o dinheiro do FGTS por causa da escolha pelo saque-aniversário. Para esse grupo, a liberação pode representar reforço de caixa em um momento de desemprego, reorganização financeira ou pagamento de contas atrasadas.
Segundo o governo federal, a medida tem potencial de injetar R$ 7,7 bilhões na economia. Além do impacto individual para quem recebe, a liberação também tende a aumentar a circulação de recursos no curto prazo.
Como consultar se o dinheiro caiu
Quem acredita ter direito deve conferir a situação no aplicativo FGTS e nos canais da Caixa. Alguns pontos práticos ajudam na checagem:
verificar se havia adesão ativa ao saque-aniversário quando ocorreu a demissão;
confirmar se a dispensa foi sem justa causa;
checar se o desligamento ocorreu entre 1º de janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025, faixa considerada na medida anterior;
consultar o extrato da conta vinculada ao contrato encerrado;
verificar se existe antecipação contratada com banco, o que pode reduzir a parte liberada.
Contexto: a regra já tinha sido flexibilizada no fim de 2025
Em dezembro de 2025, o governo publicou a MP 1.331 para liberar, em caráter excepcional, valores do FGTS retidos de trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e tiveram contrato extinto ou suspenso entre 1º de janeiro de 2020 e 23 de dezembro de 2025.
Na ocasião, a Caixa informou que o pagamento seria feito em duas etapas. A primeira liberou até R$ 1.800 por conta vinculada, e a segunda quitou o valor remanescente até 12 de fevereiro de 2026, conforme cronograma por mês e dia de nascimento.
A etapa anunciada agora funciona como complemento desse processo e amplia o desbloqueio para quem ainda tinha recursos presos.
O que o trabalhador deve fazer agora
Para a maioria dos beneficiários, não há pedido novo a ser feito se a conta para recebimento já estiver cadastrada corretamente no aplicativo. O principal passo é acompanhar os canais oficiais para confirmar o depósito até 26 de maio de 2026.
Se o valor não aparecer, o caminho mais seguro é consultar o app FGTS, o extrato da conta vinculada e os canais de atendimento da Caixa para entender se há bloqueio por antecipação, ausência de saldo disponível ou alguma divergência cadastral.