Em janeiro de 2026, as exportações de carne bovina do Brasil registraram o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, com 264 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 1,404 bilhão, segundo dados do governo federal compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e divulgados em São Paulo na sexta‑feira.
Crescimento impulsionado por demanda internacional
O volume enviado ao exterior cresceu 26,1% em comparação a janeiro de 2025, enquanto a receita subiu 40,2%. Esses índices refletem tanto o aumento do preço médio quanto a preferência por carne in natura e industrializada brasileira em mercados-chave.
China mantém liderança, mas sob nova cota
A China concentrou 46,8% do valor e 46,6% do volume total exportado em janeiro, com 123,2 mil toneladas importadas, equivalentes a US$ 657,2 milhões. No comparativo anual, o país asiático ampliou suas compras em 32,7% no volume e 45,4% na receita.
“Mesmo com um cenário mais desafiador, marcado por questões geopolíticas e pela menor produção de carne em vários países, o Brasil mostrou em janeiro que mantém capacidade de exportar volumes relevantes.”
— Roberto Perosa, presidente da Abiec
Em vigor desde 1º de fevereiro, uma cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas válida para todo o ano representa 35% menos do que o volume enviado ao país em 2025, reflexo de medidas de salvaguarda que visam proteger a produção interna chinesa.
Estados Unidos e demais destinos
Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, comprando 29,9 mil toneladas (alta de 57,3%) e gerando US$ 193,7 milhões (avanço de 81,6%). Juntos, China e Estados Unidos responderam por cerca de 60% do valor exportado no mês.
Emirados Árabes Unidos: US$ 38,9 milhões (7,4 mil toneladas)
Egito: US$ 35,7 milhões (8,7 mil toneladas)
Rússia: US$ 33 milhões (7,8 mil toneladas)
Hong Kong: US$ 32,3 milhões (8 mil toneladas)
Arábia Saudita: US$ 30,6 milhões (5,7 mil toneladas)
Israel: US$ 25,1 milhões (3,7 mil toneladas)
Perspectivas para 2026
O desempenho de janeiro sinaliza a capacidade do agronegócio brasileiro de manter posições estratégicas, mesmo diante de ajustes regulatórios em mercados importantes e de oscilações na produção global.