Carlos Eduardo Altieri, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, afirmou que a enxaqueca pode estar ligada a uma predisposição genética e que a hidratação é uma medida importante tanto no atendimento de crises quanto na prevenção, além de alertar para o risco de cronificação da dor com o uso excessivo de analgésicos.
Por que a enxaqueca pode “vir de família”
Em entrevista à CNN, Altieri explicou que, em muitos casos, a enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça isolada, mas uma condição em que o organismo já nasce com maior sensibilidade. Segundo o especialista, quem tem enxaqueca carrega um conjunto de fatores que aumenta a vulnerabilidade a episódios de dor na cabeça.
Essa base genética ajuda a entender por que duas pessoas expostas aos mesmos gatilhos podem ter respostas diferentes: enquanto uma pode seguir o dia sem maiores incômodos, outra pode evoluir para uma crise intensa. A ideia central, de acordo com o neurologista, é que existe uma predisposição que torna alguns pacientes mais suscetíveis.
Na prática, isso reforça a importância de enxergar a enxaqueca como um problema de saúde que merece acompanhamento, e não como algo que se resolve apenas “aguentando” a dor ou tratando cada crise de forma isolada.
Hidratação: medida simples que entra no protocolo de crise
Altieri também chamou atenção para um ponto básico, mas frequentemente negligenciado: beber água. Ele relatou que, no pronto-socorro, uma conduta comum quando o paciente chega em crise de enxaqueca é hidratar.
A hidratação, conforme destacou, pode contribuir de duas formas. A primeira é diminuir a frequência das crises em quem já tem predisposição. A segunda é ajudar a reduzir a intensidade da dor durante um episódio agudo, funcionando como parte do cuidado imediato no atendimento.
O neurologista ressaltou ainda a relação entre baixa ingestão de água e maior chance de crises em pessoas predispostas. Ou seja, quem já tem tendência à enxaqueca e mantém um consumo insuficiente de líquidos pode se expor a um cenário mais favorável para episódios recorrentes.
O perigo do analgésico “todo dia”
Outro ponto central da explicação do especialista foi o alerta contra o uso indiscriminado de analgésicos. Altieri enfatizou que recorrer a esse tipo de medicamento diariamente, sem orientação e de forma contínua, pode piorar o quadro: a dor pode se tornar crônica.
Esse aviso é relevante porque muitas pessoas tentam controlar a enxaqueca apenas “apagando o incêndio” a cada crise, repetindo o mesmo remédio sempre que a dor aparece. O problema, segundo o neurologista, é que esse caminho pode levar a um ciclo difícil de quebrar, em que a dor deixa de ser episódica e passa a se manter de forma persistente.
Quando procurar o especialista
Altieri recomendou que pessoas com dores de cabeça frequentes busquem avaliação médica especializada. A orientação é não normalizar episódios recorrentes e não depender apenas de soluções improvisadas.
O neurologista também reforçou que, atualmente, a enxaqueca tem tratamento e pode deixar de fazer parte da rotina do paciente. A mensagem, nesse caso, é de que existem estratégias eficazes, e que a condução adequada depende de diagnóstico e acompanhamento.
Um problema comum no mundo
A relevância do tema aparece também nos números citados no conteúdo: de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 40% da população mundial sofre de dores de cabeça. Dentro desse universo, a enxaqueca se destaca por impactar a qualidade de vida e por exigir atenção específica.
A combinação de predisposição genética, hábitos do dia a dia (como hidratação) e escolhas de tratamento (como evitar o abuso de analgésicos) ajuda a explicar por que a abordagem precisa ir além do alívio imediato. Para quem convive com crises, a recomendação do especialista é clara: procurar orientação profissional e tratar a condição de forma estruturada.