Eric Dane, ator conhecido por papéis em “Grey’s Anatomy” e “Euphoria”, morreu aos 53 anos na tarde de quinta-feira (19), após enfrentar a ELA (esclerose lateral amiotrófica), segundo comunicado divulgado por sua equipe à imprensa.
Na nota, os representantes informaram que o artista passou os últimos dias cercado por amigos próximos, pela esposa e pelas duas filhas, Billie e Georgia. O texto também destaca que, ao longo da doença, Dane se engajou na defesa da conscientização e do incentivo à pesquisa sobre a ELA e que a família solicitou privacidade.
Comunicado e últimos meses
De acordo com o comunicado, a morte ocorreu após uma “corajosa luta” contra a condição degenerativa. A equipe afirmou que o ator será lembrado com carinho e ressaltou a gratidão dele pelo apoio do público.
Dane interpretou o cirurgião plástico Mark Sloan em “Grey’s Anatomy” e também integrou o elenco de “Euphoria”.
O diagnóstico de ELA foi tornado público em abril de 2025, período em que ele gravava a série.
Rotina de cuidados e papel da ex-mulher
Nos meses seguintes ao diagnóstico, Dane passou a receber cuidados de enfermagem 24 horas por dia. A informação veio a público a partir de um relato de Rebecca Gayheart, ex-mulher do ator, em entrevista à revista The Cut, repercutida pela revista People.
Rebecca Gayheart, que tem 54 anos, descreveu a experiência de organizar o cuidado domiciliar e as dificuldades para obter autorizações do convênio. Segundo o relato, ela precisou acionar o plano repetidas vezes para conseguir a liberação das equipes.
Em um trecho atribuído a ela, Rebecca afirmou: “Eric tem enfermeiros 24 horas por dia”.
Ela também relatou que a escala de cuidados era dividida em 21 turnos e que, quando havia falhas, assumia parte das horas. Em uma das situações narradas, disse ter recorrido a amigos de Dane para cobrir um turno de 12 horas que não conseguiu preencher.
Entre as dificuldades citadas, Rebecca descreveu a resposta de uma atendente durante a solicitação de atendimento domiciliar: “Você pode continuar pedindo, e eu vou continuar negando”.
O que é a ELA e por que o diagnóstico é complexo
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença de evolução progressiva que afeta os neurônios motores, células responsáveis por comandar os movimentos do corpo. Com a degeneração dessas células, ocorre perda gradual do controle muscular.
Não há cura para a ELA, e o diagnóstico costuma ser desafiador. Em média, são necessários cerca de 11 meses para detectar a condição, em parte porque não existe um exame de laboratório que identifique no sangue um marcador preciso para a doença.
Sintomas, progressão e tratamento
Os primeiros sinais podem incluir dificuldades para respirar, falar e engolir saliva ou comida, além de perda de força e controle da musculatura das mãos e atrofia muscular na perna. Apesar do comprometimento motor, o raciocínio intelectual e os sentidos do corpo tendem a permanecer preservados.
Após o início dos sintomas, a sobrevida média é de três anos e meio. Com a piora dos músculos ligados à respiração, podem ocorrer infecções pulmonares que levam à morte.
Estima-se que apenas 10% dos casos tenham origem genética. A condição é mais comum entre 50 e 70 anos e é considerada rara em pessoas jovens. Os tratamentos existentes buscam retardar a progressão da doença.