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Empresas cortam vagas por expectativa de IA

Empresas cortam vagas por expectativa de IA
Gerado por IA

Estudo de Davenport e Srinivasan com mais de 1.000 executivos aponta demissões e menos contratações mesmo sem ganhos comprovados

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 08:10

Thomas Davenport e Laks Srinivasan concluíram que empresas em diversos países, segundo pesquisa com mais de mil executivos, têm demitido e reduzido contratações na expectativa de que a inteligência artificial passe a assumir parte do trabalho, mesmo sem evidências consolidadas de substituição em larga escala ou de ganhos financeiros comprovados.

Demissões antecipatórias e perfil do impacto

O estudo, conduzido por Davenport, pesquisador associado ao Massachusetts Institute of Technology, e por Laks Srinivasan, do Centro de Impacto Social da Universidade Ashoka, e divulgado na Harvard Business Review, mostra que muitos cortes de pessoal ocorrem por antecipação ao que a tecnologia pode vir a oferecer, não pelo que ela já entrega hoje.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a adoção de ferramentas generativas alimentou discussões sobre efeitos no mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia. Profissionais em início de carreira aparecem com frequência como os mais expostos, porque trabalham em funções de entrada cujas rotinas são mais fáceis de automatizar ou reescrever.

Dados por porte e mudanças nas contratações

A pesquisa revela diferenças por porte das empresas: 39% das pequenas e médias empresas entrevistadas afirmaram ter cortado funcionários em antecipação às futuras capacidades da IA. Entre grandes companhias, 21% relataram ter feito reduções pelo mesmo motivo.

A desaceleração de contratações também é parte do ajuste: 29% das organizações disseram estar contratando menos do que o normal por expectativa de automação ou de apoio crescente de ferramentas de IA. Ou seja, além das demissões, muitas empresas optam por não abrir vagas como medida preventiva.

No entanto, quando se busca substituições amplas e diretamente atribuíveis ao funcionamento efetivo da tecnologia, o número é pequeno: apenas 2% registraram grandes reduções de quadro ligadas à implementação comprovada de IA.

Percepção positiva, mas dificuldade para medir retorno

Outro ponto destacado pelo levantamento é a dificuldade de mensurar ganhos financeiros oriundos do uso de IA: 44% das empresas disseram ter problemas para estabelecer retornos financeiros claros associados às ferramentas.

Ao mesmo tempo, a avaliação subjetiva é majoritariamente positiva: 90% dos entrevistados enxergam algum tipo de retorno ou lucro com investimentos em IA generativa, mesmo sem métricas robustas para quantificar esses benefícios em muitos casos.

Implicações para gestão e mercado de trabalho

O contraste entre alta expectativa e implementação ainda incipiente ajuda a explicar por que o debate público sobre perdas de emprego muitas vezes corre à frente dos resultados operacionais. A decisão de reduzir headcount frequentemente antecede mudanças nos processos de trabalho.

Sem mapas claros sobre o que foi efetivamente automatizado, acelerado ou melhorado, cortes de pessoal correm o risco de apoiar-se mais em promessas do que em desempenho real. Isso pode provocar perda de conhecimento e fragilizar capacidades operacionais.

Para as empresas, o desafio é redesenhar tarefas e criar métricas que permitam distinguir ganhos reais de expectativas. Para o mercado de trabalho, a consequência imediata tende a ocorrer na porta de entrada: se a contratação desacelera por expectativa de automação, vagas iniciais podem encolher antes que novas funções surjam na mesma velocidade.

A leitura central do artigo é que a inteligência artificial já influencia decisões de força de trabalho, mas muitas dessas decisões ocorrem antes de a tecnologia "provar" plenamente o valor prometido. Se a adoção seguir avançando enquanto a medição de retorno permanecer frágil, o mercado pode conviver por mais tempo com escolhas tomadas no escuro.

Autor

Advogada, apaixonada por livros e séries. Também atuo como editora de conteúdos de variedades, unindo informação, criatividade e comunicação.