Pelas contas a partir da série histórica do MDIC, o número de empresas brasileiras que exportam produtos da agropecuária passou de cerca de 1,1 mil em 2015 para quase 2 mil em 2025. O avanço supera 60% em dez anos e ocorre num momento em que o agronegócio brasileiro também bateu recorde de exportações, com US$ 169,2 bilhões no ano passado.
O que mostram os dados oficiais
O MDIC informou que o Brasil encerrou 2025 com 29.818 empresas exportadoras, o maior número da série histórica. No mesmo relatório, a participação da agropecuária nas quantidades de empresas exportadoras aparece em 6,6% em 2025, ante 5,5% em 2015. Aplicando esse percentual ao total de exportadoras de cada ano, chega-se a uma estimativa de cerca de 1.968 firmas em 2025, contra 1.095 em 2015.
Na prática, isso significa uma base exportadora mais ampla no campo, com mais empresas vendendo para fora do país. O dado não mede sozinho o tamanho de cada negócio nem o valor exportado por empresa, mas ajuda a mostrar que o comércio exterior agropecuário deixou de depender apenas de um grupo mais restrito de grandes embarcadores.
Por que esse crescimento importa agora
O aumento da quantidade de exportadoras acontece junto com a expansão do valor vendido pelo agro ao exterior. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações do agronegócio somaram US$ 169,2 bilhões em 2025, alta de 3% sobre 2024, respondendo por 48,5% de tudo o que o Brasil exportou no ano. O superávit do setor ficou em US$ 149,07 bilhões.
Esse movimento importa porque uma base maior de empresas exportando tende a ampliar concorrência, espalhar oportunidades entre regiões e reduzir a dependência de poucos mercados ou produtos. Também cria mais resiliência quando há choques de preço, barreiras sanitárias ou problemas climáticos que afetam cadeias específicas. Essa leitura é uma inferência jornalística a partir da combinação entre o recorde de empresas exportadoras e a estratégia oficial de diversificação de destinos e produtos.
O que ajudou a ampliar a base exportadora
Parte desse avanço está ligada à abertura de mercados e ao esforço institucional para levar mais empresas ao comércio exterior. O Mapa informou que o Brasil alcançou 525 novos mercados abertos desde 2023 e que essas aberturas já renderam cerca de US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais. Em outra frente, o ministério diz que ferramentas como o ConnectAgro, o Passaporte Agro e estudos de inteligência comercial passaram a orientar empresas interessadas em exportar.
Em 2025, segundo o Mapa, o país participou de 20 feiras internacionais em 17 países, com a presença de 208 empresas brasileiras, incluindo cooperativas. As ações geraram US$ 40,4 milhões em negócios imediatos e expectativa de US$ 427 milhões nos 12 meses seguintes.
Quem é afetado diretamente
O avanço interessa sobretudo a produtores, cooperativas, tradings, frigoríficos, cerealistas, exportadores de frutas, café, carnes, algodão e outros segmentos do campo. Mas o efeito não fica só dentro da porteira: logística, armazenagem, transporte, certificação, serviços financeiros e indústria de insumos também ganham quando mais empresas entram no comércio exterior. Essa conexão é coerente com o peso do agro nas exportações e com a própria estrutura das cadeias exportadoras brasileiras.
O que muda para frente
O dado mais relevante para 2026 é que o Brasil não apenas exportou mais: também ampliou o número de empresas presentes no mercado internacional. Se a abertura de novos destinos continuar e a safra seguir forte, a tendência é de manutenção dessa base exportadora em patamar elevado. Ainda assim, o ritmo pode oscilar conforme câmbio, preços internacionais, exigências sanitárias e barreiras comerciais dos principais compradores. Essa projeção é inferencial, apoiada no desempenho de 2025 e na agenda oficial de comércio exterior.
Para o leitor, a principal conclusão é simples: o agro brasileiro segue crescendo não só em valor exportado, mas também em quantidade de empresas vendendo ao exterior. E isso ajuda a explicar por que o setor continua no centro da balança comercial do país.