O neurologista Conrado Estol alerta, em entrevista recente sobre sono, que adormecer em cerca de cinco minutos, embora pareça vantajoso, pode ser um sinal de privação crônica de sono e não de saúde; segundo ele, muitas pessoas confundem rapidez para dormir com descanso adequado.
Por que adormecer rápido pode ser ruim
Estol explica que o sono não é um bloco único, mas uma sequência de fases essenciais: sono leve, sono profundo e sono REM. Cada etapa cumpre funções específicas, como consolidação da memória, processamento emocional e liberação de hormônios, entre eles o hormônio do crescimento.
Quando o corpo está constantemente privado de sono, o tempo necessário para entrar nas fases profundas e no REM diminui ou se fragmenta. Assim, cair no sono em poucos minutos pode indicar que a pessoa está tão exausta que "desmaia" no colchão, sem percorrer adequadamente as etapas restauradoras do descanso.
Quanto dormir é o ideal?
Pesquisas como as do UK Biobank apontam que aproximadamente sete horas de sono por noite formam a referência mais adequada para adultos. Dormir menos de seis horas ou mais de nove está associado a maiores riscos à saúde, segundo esses estudos. Estol reforça que tanto a quantidade quanto a qualidade do sono importam.
Além da duração, a continuidade dos ciclos e a presença de sono profundo são determinantes. Com o avanço da idade, o tempo em sono profundo tende a cair, o que facilita o acúmulo de proteínas cerebrais relacionadas ao desenvolvimento de demência, alerta o neurologista.
Consequências na saúde e no cérebro
A baixa qualidade do descanso tem impacto silencioso e cumulativo. Uma função prejudicada é a do sistema glinfático, responsável por remover resíduos metabólicos do cérebro. Quando essa limpeza fica menos eficiente, há potencial para maior acúmulo de substâncias associadas a doenças neurodegenerativas.
Além disso, o déficit de sono eleva a probabilidade de problemas cardiovasculares e pode afetar concentração e desempenho diário. Estol destaca que a apneia do sono merece atenção especial, pois reduz a oxigenação durante a noite e está ligada a risco cardiovascular aumentado.
O que piora o sono e como melhorar
Entre os hábitos que atrapalham a regeneração noturna estão estresse, consumo de cafeína, ingestão de álcool e refeições pesadas próximo à hora de dormir. O neurologista recomenda manter horários regulares para deitar e acordar: rotinas previsíveis ajudam o corpo a reconhecer o momento de "desligar" e favorecem ciclos mais restauradores.
No caso da apneia, dispositivos como o CPAP podem reduzir sintomas e elevar a qualidade do sono, melhorando a oxigenação e aliviando impactos sobre o coração e a cognição.
Sobre cochilos e prática cotidiana
Para quem gosta de cochilar, Estol aconselha limitar a soneca a menos de 30 minutos. Esse limite ajuda a evitar interferência no sono noturno e preserva o ritmo natural dos ciclos.
Em resumo, adormecer muito rápido não deve ser celebrado automaticamente. A avaliação do padrão de sono, atenção à duração e à presença de distúrbios respiratórios e a adoção de hábitos regulares são passos essenciais para garantir um sono realmente reparador.