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Dólar fecha a R$ 4,91 e atinge menor nível desde janeiro de 2024

Dólar fecha a R$ 4,91 e atinge menor nível desde janeiro de 2024
Valentin Ivantsov - Pexels

Moeda caiu 1,12% nesta terça, 5 de maio de 2026, enquanto o Ibovespa subiu 0,62%, aos 186.753 pontos, puxado por Ambev e entrada de recursos na bolsa.

Atualizado em 05 de maio de 2026 às 19:53

O dólar comercial encerrou esta terça-feira, 5 de maio de 2026, cotado a R$ 4,9119, com queda de 1,12%, no menor fechamento desde 26 de janeiro de 2024. No mesmo pregão, o Ibovespa subiu 0,62%, aos 186.753,82 pontos, sustentado principalmente pela forte alta das ações da Ambev e por um ambiente mais favorável ao risco no exterior.

Por que o dólar caiu

O movimento do câmbio acompanhou um enfraquecimento global da moeda norte-americana diante de divisas emergentes, em um dia de alívio parcial no mercado internacional após sinais de manutenção do cessar-fogo envolvendo Irã e Estados Unidos. Com a redução da aversão ao risco, moedas como o real ganharam força.

Além do cenário externo, operadores relataram entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira e internalização de receitas por exportadores, fatores que ajudam a aumentar a oferta de dólares no mercado doméstico. Segundo dados publicados ao fim do pregão, a moeda chegou à mínima de R$ 4,9066 durante a tarde.

No acumulado de 2026, o dólar já registra queda de 10,51% frente ao real, o que ajuda a explicar por que a cotação voltou para um patamar que o mercado não via havia cerca de 27 meses.

O que puxou a alta do Ibovespa

Na bolsa, o principal vetor de alta foi a Ambev. As ações da companhia dispararam 15,30% após a divulgação de resultados trimestrais acima das expectativas do mercado. O avanço da empresa ajudou a sustentar o índice mesmo em um pregão ainda atento ao noticiário geopolítico e à política de juros no Brasil.

Com isso, o Ibovespa terminou o dia em 186.753,82 pontos, depois de oscilar entre 185.364,01 e 187.427,56 pontos. O volume financeiro somava R$ 23,49 bilhões antes dos ajustes finais.

Onde entram os juros nessa leitura

O mercado também seguiu repercutindo a ata do Copom divulgada nesta terça. Na semana anterior, o Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, mas reforçou um tom cauteloso para os próximos passos. Juros ainda elevados tendem a manter o Brasil relativamente atrativo para estratégias de carry trade, em que investidores buscam países com retorno maior na renda fixa.

Na prática, isso significa que, mesmo com o início de cortes na Selic, o diferencial de juros do Brasil continua alto o suficiente para sustentar parte da demanda por ativos locais, o que pode favorecer tanto o real quanto a bolsa em sessões de maior apetite por risco. Essa relação depende do cenário externo e da inflação, mas ajuda a entender o humor do mercado nesta terça-feira.

Por que isso importa para o leitor

A queda do dólar tende a aliviar parte das pressões sobre preços de produtos importados, passagens internacionais, eletrônicos e custos de empresas que dependem de insumos comprados no exterior. Já a alta da bolsa sinaliza melhora no apetite por risco e beneficia principalmente investidores expostos a ações ou fundos de renda variável. Esta é uma leitura de tendência de mercado, não uma garantia de repasse imediato para preços ao consumidor.

Para os próximos dias, os investidores devem continuar monitorando três frentes: o conflito no Oriente Médio, que influencia o petróleo e o câmbio; os sinais do Banco Central sobre os juros; e o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira. Se esse conjunto seguir favorável, o real pode permanecer valorizado e o Ibovespa continuar perto das máximas recentes. Essa é uma projeção baseada nos fatores citados pelo mercado nesta sessão.

Autor

Biólogo e Médico Veterinário, com atuação voltada à saúde e bem-estar animal. Possui interesse nas áreas de clínica médica de pequenos animais.